A Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) participou de estudo que demonstrou que pacientes submetidos a estimulação elétrica transcraniana por corrente contínua, associada a um protocolo de reabilitação, tiveram evolução 30% superior aqueles que se limitaram ao tratamento convencional. Nessa semana, o estudo denominado Eletron Trial teve os resultados publicados na revista Annals of Neurology, uma das mais importantes publicações de neurociências do mundo, com alto fator de impacto.
O professor Gustavo José Luvizutto, coordenador do Departamento de Fisioterapia Aplicada da UFTM curso de Fisioterapia da UFTM, desenvolveu esse estudo em seu pós-doutorado, na Faculdade de Medicina de Botucatu, entre 2016 e 2018. Também participaram da pesquisa Rodrigo Bazan, do Departamento de Neurologia da Unesp/Botucatu; o professor Octávio Marques Pontes-Neto, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto; a professora Adriana Bastos Conforto, da USP/São Paulo e o professor Vitor Mendes Pereira, do Toronto Western Hospital (Canadá).
O objetivo desse estudo foi avaliar o efeito da estimulação transcraniana por corrente contínua (neuromodulação) na reabilitação de pacientes com negligência espacial após AVC. A negligência espacial é uma condição comum em AVC do hemisfério cerebral direito, e leva a pessoa a ter dificuldade para perceber ou reconhecer estímulos sensitivos aplicados ao hemicorpo esquerdo (perde a capacidade de reconhecer estímulos visuais, sensitivos, auditivos) do lado esquerdo do corpo, prejudicando a qualidade de vida e reduzindo a possibilidade de uma reabilitação adequada.
Após a finalização do pós-doutorado, a técnica de neuromodulação foi trazida para a UFTM pelo professor Luvizutto e possibilitou a realização de diversos estudos de alunos do curso de Fisioterapia na graduação e no mestrado.
Hoje, na UFTM, a neuromodulação é utilizada para recuperação de pacientes com AVC internados na fase aguda e subaguda (iniciação científica), para melhorar o equilíbrio de pacientes com AVC na fase crônica (mestrado e iniciação científica), impacto no desempenho esportivo e variabilidade da frequência cardíaca em adultos e idosos (parceria com outros professores do curso de Fisioterapia da UFTM), bem como parceria com equipe multiprofissional, com trabalhos na área de disfagia pós AVC (Fonoaudiologia e Enfermagem).