Redução do atendimento presencial afeta principalmente idosos e pessoas com dificuldade de acesso aos serviços digitais
O fechamento de agências bancárias em Uberaba e em todo o país acompanha um movimento de reestruturação do sistema financeiro, marcado pela expansão dos serviços digitais e pela redução do atendimento presencial. O presidente do Sindicato dos Bancários, Diego Bunazar, afirma que a mudança tem impactos diretos na população e defende maior regulação do setor.
Segundo ele, o município registrou uma queda significativa na presença física dos bancos na última década. “Uberaba, nos últimos dez anos, teve o fechamento de 14 agências, o que perfaz uma média de 37%, como acontece no restante do país. Há um movimento de bancarização com a evolução tecnológica. Mas, neste contexto, temos que enxergar que o acesso ao crédito com qualidade, o atendimento e a redução de tarifas foram precarizados. Mesmo assim, 74% dos clientes preferem o atendimento presencial para operações mais complexas”, afirma.
Bunazar avalia que o modelo atual prioriza determinados perfis de clientes. “Fica bem claro que o sistema financeiro prioriza o atendimento presencial apenas para clientes de alta renda e precariza o atendimento dos mais simples, que muitas vezes têm dificuldade de acessar os meios digitais e necessitam de mais atenção”, diz.
Ele também destaca os efeitos da redução das agências físicas sobre o público mais vulnerável. “O sistema financeiro está expulsando essas pessoas das agências. Não se negam a tê-las como clientes, mas direcionam tudo para o celular, em que o próprio cliente se atende. Principalmente idosos e pessoas em fragilidade social acabam sendo mais afetados”, pontua.
O dirigente sindical afirma ainda que o fechamento de caixas físicos faz parte desse processo de reestruturação e pode impactar o atendimento. “Há instituições que abertamente negam esse tipo de atendimento, outras restringem ao mínimo e algumas mantêm, mas acionando o mesmo bancário do atendimento negocial, o que gera sobrecarga de trabalho e aumento de adoecimento na categoria”, explica.
Para o sindicato, há pouca abertura das instituições para diálogo e é necessária maior atuação do poder público. “A gente faz esse enfrentamento, mas há pouca sensibilidade por parte dos bancos. Por isso, friso: é preciso regular o sistema financeiro. O poder público tem que entrar nesse contexto e garantir parâmetros mínimos para o atendimento presencial. Quase metade dos municípios brasileiros não tem agências bancárias, o que afeta a economia dessas comunidades”, afirma.
Bunazar também projeta continuidade do cenário de fechamento de unidades. “Há grandes aglomerações nas agências que vêm sendo fechadas, com aumento de filas e sobrecarga. A sociedade, por meio do poder público, precisa colocar limites nessa precarização. Nós cobramos atendimento digno para a população, mas os bancos não têm a mínima sensibilidade”, diz.
O sindicato também chama atenção para a mudança no modelo de atuação do setor financeiro, com avanço de fintechs e cooperativas de crédito. Entre 2015 e 2024, os bancos encerraram centenas de agências no país, enquanto instituições digitais e cooperativas ampliaram sua presença e número de clientes.