O Centro de Referência da Mulher (CRM) registrou 387 notificações de violência contra mulheres em Uberaba ao longo de 2025, segundo Diagnóstico Anual divulgado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Seds). O levantamento reúne exclusivamente os casos notificados no período e não corresponde ao total de atendimentos realizados pelo serviço.
O documento integra o trabalho do Departamento de Vigilância Socioassistencial e tem como objetivo orientar o planejamento de ações, fortalecer a rede de proteção e aprimorar políticas públicas voltadas ao atendimento de mulheres no município.
De acordo com o relatório, o CRM realizou cerca de 1.041 atendimentos a 721 mulheres ao longo do ano passado. As notificações de violência representam parte desse universo e são utilizadas como base para análise de perfil, distribuição territorial e tipos de violência registrados.
Entre os dados apresentados, mulheres de 30 a 59 anos concentram a maioria dos registros, com 245 notificações, o equivalente a 63% do total. O levantamento também aponta que 50% das mulheres com violência notificada são negras (pretas e pardas).
A análise territorial identifica maior concentração de casos nas áreas atendidas pelos CRAS Boa Vista, Vila Paulista, Tutunas e Décio Moreira, o que, segundo o estudo, contribui para a definição de estratégias de prevenção e fortalecimento da rede de atendimento nos territórios.
A chefe do Departamento de Vigilância Socioassistencial, Vânia Guarato, afirma que o diagnóstico permite direcionar melhor as ações da rede.
“O monitoramento contínuo fortalece a capacidade de planejamento e contribui para que os serviços sejam mais efetivos”, disse.
A secretária de Desenvolvimento Social, Anna Maia Jampaulo, também destacou o uso dos dados no planejamento das políticas públicas.
“Conhecer a realidade do município é essencial para ações mais assertivas e para fortalecer a rede de atendimento”, afirmou.
O levantamento foi elaborado em parceria com o Centro de Referência da Mulher e com apoio do Laboratório de Cartografia e Geoprocessamento da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), responsável pela produção de mapas de calor com a distribuição dos casos.