Especialista aponta falhas em procedimentos e falta de treinamento entre os principais riscos
O número reforça o alerta para a segurança nos ambientes laborais, especialmente em atividades de maior risco (Foto/Divulgação)
Cinco trabalhadores morreram em acidentes de trabalho em Uberaba nos quatro primeiros meses de 2026. O número reforça o alerta para a segurança nos ambientes laborais, especialmente em atividades de maior risco. Em entrevista ao programa Pingo do J, o engenheiro de segurança do trabalho Thiago Límido afirmou que falhas em procedimentos de segurança e a falta de treinamento estão entre os fatores que contribuem para esse tipo de ocorrência.
Segundo o especialista, grande parte dos acidentes graves registrados em ambientes de trabalho está relacionada ao descumprimento de protocolos básicos de segurança ou à ausência de processos bem definidos para a execução das atividades. “Quando a gente analisa os acidentes, normalmente encontra falhas nos procedimentos. O trabalhador precisa ser treinado não apenas para executar a atividade, mas para executá-la de forma segura”, destaca.
Entre os casos recentes registrados na cidade está o de um pintor que sofreu uma descarga elétrica enquanto trabalhava em um prédio. Conforme explicou Límido, atividades realizadas próximas à rede elétrica exigem capacitação específica e cuidados rigorosos para evitar acidentes. “Parece algo óbvio dizer que não se pode encostar uma barra metálica em uma rede energizada, mas o trabalhador muitas vezes está preocupado com várias tarefas ao mesmo tempo. Por isso existem os treinamentos, os checklists e os procedimentos de segurança”, afirma.
De acordo com o engenheiro, a construção civil continua sendo um dos setores que mais registram acidentes fatais no Brasil. Quedas de altura e choques elétricos aparecem entre as principais causas de mortes ocupacionais, exigindo atenção especial de empregadores e trabalhadores.
Límido ressaltou que as Normas Regulamentadoras (NRs) estabelecem uma série de exigências para atividades consideradas de risco, como trabalhos em altura, serviços em instalações elétricas e operação de máquinas e equipamentos. Entre elas estão a capacitação dos profissionais, inspeções periódicas, uso correto de equipamentos de proteção individual (EPIs) e definição clara das responsabilidades de cada trabalhador.
Para o especialista, o cumprimento dessas exigências deve ser visto como investimento e não apenas como custo para as empresas. “Muitos empresários consideram a segurança uma despesa, mas o custo de um acidente é muito maior. Além do impacto humano, existem afastamentos, processos judiciais, paralisações e prejuízos para a empresa”, observa.
Outro ponto destacado durante a entrevista foi a necessidade de organização das atividades. Segundo ele, ambientes em que não há definição clara de funções e responsabilidades tendem a apresentar mais falhas operacionais e maior risco de acidentes. “A segurança depende de processo. Cada pessoa precisa saber exatamente qual é sua função, quais riscos existem e quais medidas devem ser adotadas para evitar acidentes”, afirma.
Diante do registro de cinco mortes em apenas quatro meses, o especialista defende o fortalecimento da cultura de prevenção dentro das empresas e a ampliação das ações de conscientização voltadas tanto para empregadores quanto para trabalhadores. “Acidentes não acontecem por acaso. Na maioria das vezes existe uma sequência de falhas que poderia ter sido identificada e corrigida antes que a tragédia acontecesse”, conclui.