Um dos problemas ligados à gravidez precoce é a condição de vulnerabilidade (Foto/Ilustrativa)
Em fevereiro, a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência teve ações em todo o país. Segundo dados do Tabnet, da Secretaria Estadual de Saúde de Gerais (SES-MG), Uberaba registrou 142 casos de gravidez em jovens na faixa etária entre 12 e 17 anos no ano passado. No Brasil, a taxa é de 400 mil casos/ano.
Idade: 10 a 14 anos
Qtd. de partos: 15 partos
I: 15 anos
Q: 19 partos
I: 16 anos
Q: 54 partos
I: 17 anos
Q: 54 partos
Baseado nestes dados e na importância do tema, o Departamento de Atenção Psicossocial utilizou as Unidades Básicas para explicar sobre a gravidez para pais e responsáveis, além de, claro, de adolescentes. Fernanda Manzan, psicóloga e integrante do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Comdicau), explica que quanto maior a vulnerabilidade social, maiores as chances dos adolescentes passarem pela maternidade/paternidade de forma precoce.
“Quanto maior a vulnerabilidade, menor o acesso a recursos para se prevenir. Por exemplo, uma adolescente que faz o uso de drogas ilícitas, ela está em uma vulnerabilidade que pode expor ela a uma gravidez na adolescência. Então, quanto maior a vulnerabilidade, maior o risco”, analisa Fernanda.
Ainda segundo a psicóloga, tratar o tema no ambiente escolar desde a infância, começando pelo planejamento de vida é fundamental, mesmo antes de introduzir as crianças e adolescentes ao aspecto biológico do tema. “A educação sexual começa quando conversamos com a criança sobre o corpo dela, sobre se proteger, os lugares que precisam de cuidados para não aparecer, que ninguém pode tocar. Começando pelo projeto de vida, perguntando se um dia ela deseja ter uma família, ser mãe, ser papai, e explicar que tudo tem a hora certa”, afirma.
A especialista reforça que o assunto não pode ser abordado apenas com as meninas, mas com os meninos também. “Os meninos também têm sido expostos a essa situação de não cuidado. A gravidez na adolescência não é positiva, pois interrompe uma fase da vida para se viver outra, que deveria ser vivida na vida adulta, mas podem acontecer outras coisas mais complicadas também, como as doenças sexualmente transmissíveis e os meninos também precisam desse cuidado”, explica Fernanda.