CIDADE

Unidade continua lotada e não tem condições de receber mais pacientes

Médica Geisa Perez Medina Gomide revela que ontem (5) o hospital recebeu mais de 28 solicitações pelo sistema SUS Fácil de vagas

Thassiana Macedo
Publicado em 06/11/2012 às 00:19Atualizado em 19/12/2022 às 16:27
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A médica Geisa Perez Medina Gomide, diretora das unidades de Pronto-Socorro do Hospital de Clínicas da UFTM, revela que ao longo desta segunda-feira (5) o hospital recebeu mais de 28 solicitações pelo sistema SUS Fácil de vagas na unidade de pronto-atendimento, mas foi preciso negar todas, por não haver mais ventiladores pulmonares disponíveis.

Geisa Perez destaca que vem tentando alertar o Estado e a União sobre o problema crônico no pronto-socorro há muito tempo, já que o Hospital de Clínicas é o único capaz de receber casos de alta complexidade e maioria de média complexidade da região Triângulo Sul, a qual engloba 27 municípios. A médica ressalta que o número de atendimentos não é grande. “O problema é que, como são casos muito complexos, não conseguimos dar alta do pronto-socorro, esses pacientes têm que ser escoados para algum lugar, seja uma UTI ou unidades de cuidados intermediários, o que não tem na cidade”, afirma.

Os hospitais Dr. Hélio Angotti e Universitário têm, juntos, cerca de 20 leitos de UTI, enquanto o Hospital de Clínicas possui 40 leitos deste tipo, mas não têm sito suficientes para atender à demanda atual, pois estão sempre lotados. A diretora ressalta que há previsão de instalar mais 20 UTIs no HC, mas em médio e longo prazos, o que não resolverá o problema existente hoje. “São sempre casos que estão internados, mas uma unidade de pronto-socorro não é para internação, a função é estabilizar o paciente e mandar para um destino adequado. E, pelo que sei, a rede privada da cidade também está superlotada”, frisa.

Geisa Perez ressalta ainda que o Hospital de Clínicas é o único que possui a vaga zero, ou seja, ainda que não tenha vaga desocupada, a instituição é obrigada a receber o paciente para atendimento. “E é isso que está causando tanto transtorno, porque se não tenho para onde escoar os pacientes que já recebi e continuo com a porta aberta para a vaga zero, vai chegar sempre a hora de acontecer o que ocorreu na quinta-feira (1º), não tem mais saída de oxigênio, o paciente chega e, ao invés de ele ser colocado em um respirador, ele será ventilado manualmente, o que é humanamente impossível de durar muito tempo. A hora que a mão do técnico começar a cansar, a respiração fica inferior ao necessário e o paciente corre um risco maior ainda”, alerta.

Atualmente, a unidade do pronto-socorro possui quatro pessoas internadas na sala de emergência, cerca de seis na sala de procedimentos e ainda outras três salas com pacientes em isolamento, sendo quatro pessoas com infecções por bactérias resistentes, uma por tuberculose e outra com suspeita de H1N1.

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