Médicos que atuam nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPA) do Parque do Mirante e do São Benedito aderiram ao movimento e apenas emergências encaminhadas pelo Samu ou unidade de resgate do Corpo de Bombeiros e suspeitas de gripe H1N1 foram atendidas. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde, as unidades mantiveram 30% do atendimento, mas nenhuma emergência foi negligenciada.
De acordo com a médica Nádia Andraus Farid, representante do grupo organizado na UPA do Mirante, cerca de 15 profissionais aderiram ao movimento. “Todos são a favor da paralisação. A classe médica é contra essa vinda de médicos estrangeiros pra cá. Não estamos deixando o pessoal na mão, não. Aderimos ao movimento para deixar bem claro a nossa insatisfação em relação a essa decisão”, afirma.
Nádia Farid destaca que se hoje não há um número suficiente de médicos atuando no atendimento à população de determinadas regiões do país é por falta de investimento. “Queremos chamar a atenção e mostrar a nossa insatisfação. Estamos totalmente contra a vinda de médicos de outros países, especialmente sem a realização da prova de revalidação necessária para atuarem no Brasil. Isso não vai trazer benefício algum ao nosso ponto de vista médico. O que está faltando aqui são macas, medicação, entre outros, e eles não virão trazer isso”, completa a médica.
Na UPA do Mirante, na manhã de ontem, onde aconteceu mobilização dos profissionais, o movimento recebeu apoio. “Eu acho um absurdo ser atendida por um médico estrangeiro, corremos o risco até de receber medicação errada, não vamos entender o que eles falam”, disse Claudenice Pinheiro, usuária da unidade.