Pouco ou quase nada foi feito pela Prefeitura em favor das famílias desabrigadas na Vila São Cristóvão e na rua Vigário Silva, no bairro...
Pouco ou quase nada foi feito pela Prefeitura em favor das famílias desabrigadas na Vila São Cristóvão e na rua Vigário Silva, no bairro São Benedito, após as chuvas e enchentes que assolaram a cidade nos dias 2 e 8 de fevereiro.
Embora já estejam todos de volta às suas casas, na Vila São Cristóvão moradores ainda reclamam. A dona-de-casa Marineide de Lima conta que a PMU consertou o muro de sua casa, arrastado pelas águas que desceram pela rua Chaliston Luiz da Silva, mas ainda não ressarciu o dinheiro que seu marido tomou emprestado para reforçar outro muro que ameaçava cair sobre a casa.
“Quando o prefeito esteve aqui, disse que disponibilizaria R$ 15 mil para consertar os estragos. Temos nota fiscal de tudo e ainda não recebemos nem um centavo dos R$ 700 gastos com o serviço”, conta a mulher que não sabe como pagar o empréstimo.
Ela conta que ficou morando no salão da Igreja por muitos dias, até sua casa voltar a ter condições de ser habitada. Maria Aparecida Souza está sem banheiro até hoje, mas agradece por não ter perdido tudo na enchente.
Célia Regina Santos, que chegou a perder a voz, agora conta que a Prefeitura ajudou muito com mantimentos e ergueu o muro. Entretanto, todos os seus pertences ficaram inutilizados e a orientação é para que entre na Justiça, mas o alerta é de que o processo deve demorar pelo menos cinco anos até o encerramento. O portão da casa também ficou destruído e o novo ainda está na promessa, segundo a dona-de-casa que teme as próximas chuvas. De acordo com ela, o meio muro levantado pela Prefeitura ainda não foi testado. “Ainda não tivemos chuvas fortes como as que ocorreram no início de fevereiro”, afirma.
A rua Sheila Vieira Magalhães teve o asfalto totalmente arrancado e a pensionista Jandira Rosa Santiago, de 69 anos, moradora da via, ainda não conseguiu refazer o muro do quintal de sua residência, derrubado pela enchente.
A situação da família desabrigada da rua Vigário Silva é ainda pior. Com a casa interditada pela Defesa Civil, o casal Adriana Érica de Souza Francisco e Marlúcio Simônio Francisco e as duas filhas menores continuam morando com os pais dele, e aguardam uma solução do Poder Público. Sem condições de reconstruir a casa, espera ajuda da Prefeitura e, caso ela não venha, pensa em buscar solução na Justiça Especial. “É preciso que decidam sobre a interdição do imóvel e se vão ajudar ou não”, ressalta.
O secretário de Infra-Estrutura, José Eduardo Rodrigues da Cunha, disse que vai cobrar do setor jurídico uma posição sobre a situação dos imóveis, para então tomar providências. Segundo ele, existem vários imóveis irregulares no local.
Mas, o pai de Marlúcio, José Francisco, proprietário do imóvel, garante a legalidade da posse da área e, segundo ele, paga o IPTU religiosamente.