Quatro voluntárias da Supra estiveram no imóvel onde se encontram mais de 55 cães para dizer que os animais não estão abandonados
Voluntárias assumem cuidados de cães abandonados em imóvel no bairro Estados Unidos. Quatro voluntárias independentes da Sociedade Protetora dos Animais estiveram no imóvel onde se encontram mais de 55 cães para dizer que os animais não estão abandonados e que há algum tempo elas já estão indo cuidar deles, com um projeto elaborado especialmente para o local.
O que as voluntárias querem é resolver o problema da forma correta. “Não queremos tirar os animais de um lugar e levar para outro simplesmente, e assim estamos procuramos adotantes responsáveis, com termo de adoção que consta na legislação vigente. Vamos monitorá-los, afirma Rita Vasconcelos, uma das voluntárias que estão pedindo a ajuda da população com o envio de alimentos, pois não conseguem bancar este valor ou mesmo estar no local o tempo todo.
Outra necessidade das voluntárias será assistência de veterinários não só para atendimento aos cuidados básicos, como em cirurgias de castração. Rita Vasconcelos informa que a prioridade delas é a castração, porque “uma cadela reproduzindo aleatoriamente, em dois anos, é capaz de produzir 300 descendentes, e outro ponto é que, castrados, as pessoas podem se interessar mais pela adoção”, diz. Os animais já vinham sendo castrados no imóvel, sendo três por semana. “Neste momento é o que o Centro de Zoonoses pode fazer, porque há uma reforma lá e somente um médico veterinário; uma pessoa somente não consegue atender toda a demanda da cidade, precisaríamos de mais profissionais desta área”, pede Rita.
A origem do problema, explica ela, é social e de falta de conscientização. “É a irresponsabilidade das pessoas que gera este tipo de problema. O animal está incomodando, a pessoa põe na rua. O lugar do animal é dentro de casa ou sob a guarda de alguém, com comida, água e condições de saúde”. As voluntárias comentaram que precisam muito de um abrigo. “Nós batalhamos para melhorar as condições do atual abrigo, a Supra, e não queremos e nem podemos levar outros animais pra lá porque existe uma superlotação. Infelizmente, a criação deste abrigo não será imediata, mas um local mais adequado para estes 55 animais seria bem aceito”, diz. Rita explica que a lei de proteção animal, com a instalação de chips com o nome do proprietário, teria resolvido problemas como este.
O rapaz que mora no imóvel e se encontra em tratamento médico diz que quer um destino adequado para os cães e que ele não consegue cuidar deles porque tem que trabalhar e trazer dinheiro para seu próprio alimento. “A questão da exigência de um termo de adoção, colocado pelas voluntárias, pode dificultar e eu continuo com este monte de cachorro”, reclama Mickel de Oliveira Teodoro.
Uma das voluntárias estava no local na manhã de ontem e acompanhou a visita da polícia ambiental. Durante a checagem, os militares encontraram comida e água para os cães que estão chegando devido à matéria do Jornal da Manhã. Foi registrado um boletim de ocorrência (BO) apenas interno, mas não constataram maus-tratos. Eles foram ao local devido à matéria, pois não havia solicitação por parte dos vizinhos.
As pessoas interessadas em ajudar os cães podem procurar o setor de Zoonoses da Prefeitura, que possui o telefone de cada voluntária deste projeto.
Vigilância Sanitária não foi acionada. Na denúncia feita pela vizinha do local, Joana Valente comenta que entrou em contato com a Vigilância Sanitária, não obtendo êxito, o que contradiz o relatório de chamados do órgão, quando consultado nesta quinta-feira pela equipe de reportagem do Jornal da Manhã.
Segundo o diretor do órgão, Emerson de Almeida, “não há nenhuma chamada nos últimos dias. Temos uma chamada para o local no mês de janeiro. Recebemos cerca de cinco ocorrências por semana sobre canis na região urbana e teríamos ido, como em todos os outros casos”, diz. Emerson comenta que a Vigilância tem a obrigação de fiscalizar se as condições sanitárias do local estão adequadas, por exemplo, se as fezes estão tendo a destinação correta ou se tem um escoamento de água adequado, mas seria um impedimento ao trabalho se o proprietário não deixar entrar. Ele acredita que a denunciante deve ter se confundido ao ligar para Vigilância e finaliza: “A gente cuida da saúde humana”.