Todo advogado, bacharéis e estudantes de Direito sabem que “a confissão é a rainha das provas”. Pois bem. Na audiência da ação de investigação judicial eleitoral movida pelo Mobiliza contra o Rede foi exatamente isso o que aconteceu. Uma das investigadas deu com a língua nos dentes e rasgou o verbo. Contou que não fez campanha, não votou em si mesma, muito menos queria ser candidata. Aceitou “emprestar” seu nome para compor a quota feminina na chapa de vereadores do Rede para atender a um pedido do patrão, que é o presidente do partido em Uberaba.
Já a segunda investigada, que é amiga do mesmo presidente do Rede, disse ao juiz que nem sabia que estava candidata... Ah, coitada!
Em síntese: uma confessou que sua candidatura foi de fachada. E a outra tentou sair pela tangente. Uma vergonha!
CONTAS A PAGAR
A moça que confessou a candidatura de fachada ainda contou que quebrou o pé durante a campanha e quis sair da chapa. Mas teria sido impedida pelo presidente do Rede, seu patrão em empresa privada. A moça argumentou que é mãe solo, tem quatro filhos, e precisa do emprego para sustentá-los. Por isso concordou em manter o nome “emprestado” até o final. Mas nem isso adiantou, porque o Rede não conseguiu eleger nenhum vereador. E agora que detonou o esquema fraudulento, ela corre o risco de perder o emprego e ainda responder a processo criminal...
BRINCANDO COM FOGO
Essa foi só a primeira de quatro audiências que serão presididas pelo juiz José Paulino. Nesta quinta-feira haverá outra audiência, desta vez na ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) movida pelo Podemos contra o União Brasil, também por fraude à quota de gênero. E no dia 4 de fevereiro, a terceira audiência na ação do Mobiliza contra o MDB. Somente uma audiência ainda não foi marcada, que é a da ação movida pelo União Brasil contra o Podemos.
IMPUNIDADE ZERO
Pois é. A julgar pelo que se viu na audiência desta terça-feira, havia uma enorme confiança ou coragem – sabe-se lá – de determinados políticos. Esse pessoal acreditou na impunidade ao montar chapas com candidatas de araque e agora corre o risco (real) de “cair do cavalo”. Afinal, o juiz José Paulino é extremamente estudioso, rigoroso, corajoso. Fez carreira na Polícia e conhece o Direito como poucos. Para tornar esse pessoal “arteiro” inelegível por 8 anos será apenas uma “canetada”. Se não vier mais chumbo grosso na sentença...
VERGONHA
Sempre me posicionei contra essa história de quotas no Brasil, em todas as áreas. Na política, essa tal “quota de gênero” tem se mostrado uma aberração e só serve para levar os dirigentes partidários a cometerem esses desatinos, incluindo nomes femininos nas suas chapas de candidatos apenas para cumprir dispositivo legal. Isso precisa acabar! Aliás, se persistir a tal quota de gênero, vamos continuar vendo situações como essas de Uberaba, em que mulheres são pressionadas, intimidadas, usadas, ludibriadas para “emprestar” o nome como se candidatas fossem. Isso é abominável! Uma vergonha! Precisamos passar essa situação a limpo, até mesmo em respeito às mulheres que encaram a política com seriedade e responsabilidade.
SOBE E DESCE
Suponhamos que as ações eleitorais por fraude na quota de gênero sejam julgadas procedentes. A consequência será mudança nos ocupantes das cadeiras na Câmara – todos sabem. Mas quem deve entrar, e quem pode sair? Obviamente que tudo é especulação, por enquanto. Os entendidos na matemática eleitoral acreditam na volta de Luizinho Kanecão, do Mobiliza, e possivelmente Professor Wander (Podemos). Mas no caso de Wander, a situação vai depender do desfecho das ações do Podemos contra o União Brasil e vice-versa.
CORDA BAMBA
Se de fato as ações por fraude eleitoral prosperarem, os vereadores que mais correm risco de perder o mandato são Samuel Pereira (PMB) e Marcos Jammal (PSDB) que entraram na repescagem dos votos. Baltazar da Farmácia e Lu Fachineli, ambos do União Brasil, também estão na corda bamba.
DEMORA
Essa provável dança das cadeiras dos vereadores talvez explique a demora da prefeita Elisa em anunciar o líder do seu governo na Câmara. Dentre os cotados estão Samuel Pereira e Lu Fachineli, dois que correm risco de perder o mandato. Aliás, até mesmo a nomeação de vereadores que não foram reeleitos para ocupar cargos comissionados depende do desfecho dessas ações. Haja ansiolítico!
LÁ COMO CÁ
Prefeita de Delta, Leriane de Souza contou ao Pingo do Jota que há mais de mil procedimentos na fila de espera da saúde do seu município. Envolvido em recente e vexatório escândalo político, que levou o então prefeito à prisão, Leriane conta que herdou muitos “cemitérios”, tanto de equipamentos quanto veículos sucateados da frota municipal. Embora seu nome não esteja envolvido no escândalo, Leriane se diz envergonhada pelo que aconteceu na sua cidade na gestão de seu antecessor. Agora, ela quer resgatar a boa imagem de Delta.
NO CHÃO
Acredite, se quiser: o Centro de Eventos de Delta foi uma das últimas obras inauguradas pelo então prefeito Marcos Estevam. Mas o telhado desabou pouco tempo depois, segundo a prefeita Leriane.
CONTRATO A TERMO
Leriane também se inspirou na prefeita Elisa para submeter seus 20 secretários a contrato de gestão. A assinatura do documento aconteceu nessa segunda-feira. Lá como cá, os secretários terão prazo (120 dias) para mostrar serviço. Caso contrário será Ra-re-ri-ro-rua!
PAPO SÉRIO
Leriane de Souza não está brincando quando fala em desapropriar o Uberaba Country Club. Pelo contrário: a prefeita faz planos de transformar o clube num atrativo turístico para Delta, incluindo a realização anual de “Countrypira” lá. Leriane pisa no acelerador para tirar Delta do atoleiro, e quer buscar investidores do setor hoteleiro para investir lá, dando suporte à indústria do turismo. Aliás, a prefeita já anuncia parceria com empresa de Uberlândia para fomentar o turismo pesqueiro em Delta.
REFRESCO
Banco Original, da família Batista, dona da J&F, vai financiar R$ 328 milhões para a Cervejaria Petrópolis dar continuidade às suas operações. Informação foi divulgada nesta terça-feira, pelo jornal “Valor”. O Banco Original, controlado pela J&F Participações, da família Batista, fará um financiamento de R$ 328 milhões para socorrer o Grupo Petrópólis, dono das cervejarias Itaipava e Petra, segundo reportagem publicada pelo jornal Valor Econômico. Na segunda-feira, o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, noticiou que a JBS vem negociando a compra de 50% do Grupo Petrópolis. Ainda de acordo com o Valor, a cervejaria do grupo registrou queda de 35% nas vendas no período entre janeiro e setembro do ano passado, acumulando um prejuízo de R$ 933 milhões. As perdas totais da companhia bateram R$ 1 bilhão. God save Petropolis!