ALTERNATIVA

Uberaba corre sério risco de continuar sem deputados, adverte analista político

Lídia Prata
Lídia Prata
Publicado em 07/01/2026 às 21:40Atualizado em 08/01/2026 às 21:37
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 (Foto/Divulgação)

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Em entrevista ao programa O Pingo do Jota desta quarta-feira, o analista político Fabiano Elias disse, com todas as letras, que Uberaba corre sério risco de continuar na orfandade em Brasília e em Belo Horizonte. Em que pese o fato de Tony Carlos (MDB) ser o nome mais cotado para deputado estadual, ele vai precisar trabalhar a região para garantir a eleição. Sem mandato, Tony não pode – nem deve – contar apenas com os votos dos eleitores uberabenses para garantir seu retorno à Assembleia Legislativa de Minas.
 
UM OU OUTRO
Fabiano Elias considera praticamente impossível a eleição dos vereadores Cabo Diego e Ismar Marão. Os dois dividirão os votos do mesmo reduto eleitoral, que é a direita. “Um tira a eleição do outro” – adverte Fabiano, sugerindo que os dois  tenham uma conversa madura para definir qual deles colocará seu nome este ano, acertando apoio ao outro na próxima eleição. Tem mais: Hely Grilo, tio de Marão, também está na parada para voltar à Assembleia Legislativa de Minas Gerais, com apoio do senador Cleitinho, atual líder nas pesquisas de intenção de votos para o governo de Minas.  Ou seja: o bolo é pequeno para ser repartido entre todos.
 
PRA DEPOIS
Apesar de bem pontuado em algumas pesquisas, o vereador tucano Túlio Micheli também não tem condições para chegar a se eleger, na análise de Fabiano Elias. Também não seria razoável lançar seu nome agora, pensando na eleição para prefeito, em 2028.
 
ATENÇÃO
Fabiano Elias sugere atenção à movimentação política de Patrícia Melo (PT), que disputou eleição para prefeita recentemente e hoje assessora o deputado federal Reginaldo Lopes. Vista como “pára-quedista”, Patrícia sempre se coloca como uberabense e tem trabalhado em todo o estado. Fabiano avalia que Patrícia tem chances reais de se eleger deputada estadual. Caso isso se confirme, ele acredita que ela montará um mega escritório político regional em Uberaba. O tempo dirá.
 
“X” DA QUESTÃO
Agora, para federal, a situação está mais preocupante. A pulverização dos votos – ah, esse eterno problema! – continua assombrando a eleição em Uberaba. Fabiano Elias considera “nebuloso” o cenário, considerando a quantidade excessiva de “candidatos”, sendo que pouquíssimos têm votos em outras cidades. Além disso, as pesquisas mostram que as classes C, D e E estão desanimadas com a política, principalmente as famílias que veem seus filhos trabalhando de Uber, apesar de terem um diploma universitário nas mãos.  
 
HERDEIRO
Fabiano Elias vê no vereador Thiago Mariscal (PSDB) o herdeiro político de Wagner do Nascimento, por ser mais populista e absorver bem o voto da revolta, da indignação, principalmente nos bairros novos mais periféricos. Pode até não se eleger, mas vai dar trabalho...
 
BARREIRA
Depois de ouvir a entrevista de Fabiano Elias ao Pingo do Jota, o presidente do PSDB/Uberaba, Thiago Tiveron, manifestou sua opinião pessoal sobre o quadro de candidaturas a federal em Uberaba. Veja o raciocínio dele: “Todos os candidatos a Deputado Federal têm a missão de bater a cláusula de barreira (+ ou - 43 mil votos) para sonhar com uma vaga, pois não temos nomes hoje com possibilidades de 70 mil votos como tivemos no passado. Primeiro que precisariam de algo em torno de no mínimo 50 municípios (hoje ninguém tem). Segundo: ninguém possui mandato, e sem mandato, não se sustentam as bases regionais, com as assessorias, com as emendas parlamentares e com as entregas durante o mandato. Terceiro: pelo número de possíveis candidatos em Uberaba, em torno de 10 candidatos ou mais. Lembrando que, em 2022, Franco com um mandato de entregas, com assessoria, com teto máximo do fundo partidário, com grupo, com inúmeros municípios, bateu esses 72 mil votos (excelente votação), mas hoje o cenário é diferente. Por isso digo que Uberaba precisa concentrar em quem tem chance de bater os 43 mil votos.”
 
NO TOPO
Ainda de acordo com Thiago Tiveron, “Franco, Anderson e Mariscal possuem a chance de alcançar 43 mil votos da cláusula de barreira (logicamente com os votos da região). Mas não adianta ser 1 só, exemplo: eleitor do Anderson e do Mariscal não votam no Franco. Já o eleitorado do Anderson e Mariscal são da mesma faixa social (classes C, D e E) e se chocam. Eleitorado do Anderson e Mariscal é o mesmo do Tony. Pelo poder financeiro (máquina, Lula) Anderson tem chances, e pelo voto, Mariscal. Hoje Mariscal tem a parcela D e E da população, o Anderson também tem, com a vantagem de ser um candidato do Presidente, que provavelmente será reeleito. Se o AA for para suplência de Senador,  Mariscal vai se tornar o mais viável de Uberaba”.
 
DINDIM
Os 72 mil votos alcançados por Franco Cartafina na eleição de 2022 o credenciam a ser hoje o nome mais viável para deputado federal. Mas não será fácil voltar ao Congresso Nacional. “Sem dinheiro ele não chega” – diz Fabiano, com a experiência de quem vive 24h no meio político e entende muito de eleições. Por isso, entre ficar no PP (ou no Podemos) e migrar para o PSD para ter o apoio da prefeita Elisa, Franco terá de pensar com a calculadora na mão (em todos os sentidos).
 
XEQUE MATE
Por sua vez, Thiago Tiveron avalia que a decisão de Franco é muito delicada, nesse momento. Para o líder tucano, se Franco migrar para o PSD poderá dar um “tiro no escuro”, até porque trocaria a sua situação de expoente do PP para se tornar um nome visto com “reservas” no partido de Elisa. Mas, sem o apoio da prefeita, Franco terá muito mais dificuldade para se eleger.
 
QUEM SABE?
Vitória eleitoral da vereadora Ellen Miziara também não será nada fácil. Pelo contrário. Pra começar, o principal “adversário” dela é o deputado federal Zé Vitor, do mesmo PL. Zé Vitor tem um trabalho muito forte junto ao agro e é um nome visto com enorme simpatia pela direita, mesmo reduto de Ellen. As chances da vereadora só poderão melhorar se Zé Vitor vier a ser o candidato a vice-governador na chapa liderada por Mateus Simões. Fora isso, Ellen não conseguirá alcançar a cláusula de barreira para federal, estimada em 42 mil votos. Quando muito ficará novamente na suplência, contando com a sorte e com os milhares de votos do deputado Nikolas, e da deputada federal Greyce Elias, de Patrocínio.
 
SERÁ?
Não será surpresa se o ex-ministro Anderson Adauto trocar a disputa por cadeira na Câmara dos Deputados pela suplência de senadora da pré-candidata Marília Campos, do PT, que está no seu quarto mandato como prefeita de Contagem. Marília lidera atualmente as pesquisas de intenção de votos em Minas.
 
CHAVE NA MÃO
“Quem vencer as eleições de 2026 estará com a chave na mão para a eleição de 2028”. O alerta de Fabiano Elias se refere ao resultado das urnas para deputado. Se candidatos de oposição forem eleitos e os apadrinhados pela prefeita Elisa não tiverem sucesso, as dificuldades para Uberaba continuarão grandes. Para Fabiano, Elisa precisa acertar nas suas escolhas, sob pena de amargar o restante do seu mandato com pires na mão em Brasília e BH.
 

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