(Foto/Reprodução)
As mães que Deus me deu
No tear silencioso do tempo, Deus teceu encontros que não nascem do acaso, mas da Graça. E assim, no próximo domingo (8/5) Dia das Mães, minha alma se curva em gratidão a cada mulher que, com mãos de ternura e voz de coragem, ajudou a escrever os capítulos da minha história.
Mãe Mariinha, avó de corpo e mãe de alma, você foi a terra firme onde aprendi a plantar os primeiros sonhos. Sem muitos livros, mas com uma sabedoria que vinha do céu, você me ensinou que o propósito sustenta os passos. E quando o caminho se fazia espinho, sempre me lembrava que não era preciso trilhar sozinho, pois Deus estava só esperando pelo chamado.
Mãe Lia, você me deu a vida e três irmãos. Mesmo não tendo me criado, nunca deixou de estar por perto. Era amiga, das verdadeiras. Me ouvia sem pressa e sempre me incentivava a ir além. Dizia que eu insistia em criar um muito aquém do que merecia, que não esperasse reconhecimento de quem nunca ia vir e que jamais deixasse ninguém me diminuir. Em você, aprendi que amor também é abrir mão e torcer, mesmo que de longe. Infelizmente, ela e minha mãe/vó o fazem do céu.
Mãedrinha Suely, você ajudou a dona Mariinha a me criar e foi a primeira a colocar uma correntinha com a Cruz de Cristo no meu peito. Me presenteou naquele dia com uma convicção: a de que quando o mundo me colocasse de joelhos, eu não deveria chorar, mas agradecer, por me lembrar que poderia recorrer a Quem poderia fazer todo o mal parar e me restaurar. E quantas vezes isso se fez verdade na minha vida!
Mas fui premiado pela Graça de Deus com outras mães. A escola me trouxe uma delas: Dona Edna Idaló, minha professora dos anos iniciais e eterna diretora da Escola Estadual Frei Leopoldo de Castelnuovo. Até hoje tenho um respeito gigante por essa mulher, que me ensinou que aprender a escrever minha própria história era o maior poder que eu poderia ter. Ela pegava meus obstáculos e me mostrava como transformá-los em força para as batalhas. Numa época em que poucos garotos do meu bairro chegavam ao Ensino Médio, eu me tornei doutor na área que ela me apontou como caminho pra vencer: a educação.
Quando meu pai se casou chegou a Elina. Ela me deu outros três irmãos e me ensinou uma lição que hoje carrego comigo: as coisas podem mudar, mesmo que demore. Ela é dessas pessoas que faz questão de mostrar sua admiração e que me incentiva a pisar firme, porque o mesmo lugar onde a gente cai pode virar o lugar da vitória.
Depois, o amor me trouxe uma esposa, e com ela, outra mãe: minha sogra Elaine Vieto, que já está na Casa de Deus Pai. Mulher pequena de estatura, mas gigante de alma. Ela nunca duvidou de mim. Quando eu falava em desistir, ela bronqueava com todo jeito e dizia que a dor era oportunidade de abrir o coração e escutar Deus chamar, pois depositar esperança na fé não é fraqueza. Afinal nossas batalhas não falam apenas sobre força, ensinam sobre dependência, pois existe Alguém com um poder muito maior que os seus problemas.
E por fim, a última mãe que chegou na minha vida é aquela que me deu a maior das bênçãos: ser pai. Minha esposa, Leilane Vieto, colega de coluna e de alma. Nunca falei isso antes, mas se eu sigo firme na minha jornada é porque ela sempre me ajuda a reencontrar a direção quando um pensamento pesado sufoca o coração. Ela percebe quando meu sorriso é só fachada e não hesita em fala com Deus no meu lugar até me levar pro lado dela em oração, e ali, de joelhos, eu encontro força pra atravessar mais um campo minado.
Tantas mães. Tanto amor espalhado. Cada uma com seu jeito, sua lição, sua oração. E hoje, nesse Dia das Mães, eu paro e penso: será que elas sabem o quanto são importantes pra mim? Será que eu tenho dito isso com a frequência que deveria?
Porque tem uma coisa que a vida vai ensinando: a gente sempre acha que amanhã vai ter tempo. Amanhã a gente liga. Amanhã a gente visita. Amanhã a gente diz "eu te amo". Mas o amanhã não é garantido pra ninguém. Então a hora é agora.
Dizer "eu te amo" não é enfeite. É sustento. É dizer pra alguém: "você faz falta, você faz diferença, sua vida importa pra mim". E não adianta só sentir esse amor guardado dentro do peito — ele precisa sair, precisa ser falado, escrito, abraçado.
E mais do que palavras, a gente precisa dedicar tempo. Não resto de agenda, não presença distraída. Tempo de verdade! Sentar do lado, ouvir de novo a mesma história, perguntar como foi o dia, tomar um café, dar um abraço demorado. Carinho e afeto não têm data marcada — eles moram nos pequenos gestos do dia a dia.
Porque as mães que nos criaram, que nos ensinaram, que oraram por nós, que acreditaram quando ninguém mais acreditava… essas mulheres merecem mais do que flores num domingo! Merecem nossa presença inteira, coração aberto, tempo dedicado. Se você ainda tem essa bênção em sua vida, aproveite. Se ela não está mais aqui lhe diga em oração o quanto a ama.
A homenagem de hoje não dedico apenas às mães da minha vida. Ela vai também pra todas aquelas que abraçam a maternidade como uma missão especial. Pra quem deu a luz, pra quem criou, pra quem adotou com alma. Vai para todas que ensinam, que curam com um olhar, que sustentam o mundo de seus filhos com as mãos cansadas, mas com o coração cheio de fé.
Ser mãe, no fim das contas, é aceitar que o amor vai doer, vai cansar, vai exigir. Mas também é aceitar que esse mesmo amor é a melhor coisa que se pode encontrar aqui na terra.
A todas vocês, guerreiras de oração e ternura, de gestos e palavras, meu muito obrigado. E que nós, sejamos filhos gratos, que nunca se cansem de dizer: a senhora é importante! Eu te amo ! Hoje, domingo e sempre, saiba que têm um lugar guardado no meu coração e no meu tempo.