A escalada do Feminicídio
Na semana em que Uberaba foi abalada por um brutal feminicídio, os números divulgados pela Polícia Civil escancaram uma realidade estarrecedora: as campanhas de conscientização e o enrijecimento das leis penais têm se mostrado insuficientes para frear a violência doméstica. Os registros de casos na cidade não param de crescer, saltando de 2.884 em 2023 para 3.104 em 2024, e chegando a 3.260 ocorrências em 2025. A escalada dos indicadores evidencia que, embora necessárias, as medidas atuais não têm conseguido proteger as mulheres dentro de seus próprios lares.
Janeiro de Sangue
A persistência dos altos índices acende um alerta máximo para as autoridades e para a sociedade uberabense. Se em 2025 a média já era preocupante, os primeiros sinais de 2026 são ainda mais assustadores: apenas em janeiro, a Delegacia da Mulher já contabilizou 257 agressões. O número indica que a violência de gênero não dá trégua e segue em trajetória ascendente, ignorando os esforços da rede de enfrentamento. Diante da falência das estratégias atuais em conter a sangria, urge que o Poder Público aperfeiçoe suas políticas, investindo em ações mais incisivas e na prevenção estrutural para evitar que novas vidas sejam ceifadas.
Rede de proteção em ação
Na noite da última segunda-feira (10/3), os sargentos PM Bruna e Túlio, que integram a Patrulha contra a Violência Doméstica, participaram de seminário promovido pelo curso de Direito da Unipac. Na ocasião, os militares abordaram a cultura da normalização da violência contra a mulher e os perigos que essa naturalização impõe à sociedade. Bruna destacou que a Polícia Militar é parte de uma rede integrada de proteção, que une diferentes instituições para garantir acolhimento rápido e seguro às mulheres em situação de vulnerabilidade. A estrutura conta com a atuação conjunta do Judiciário, Ministério Público, Polícia Civil, Guarda Civil Municipal, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e o Hospital da Mulher da UFTM, assegurando um atendimento humanizado e eficaz.

(Foto: François Ramos)
120 ocorrências/mês em um único batalhão
Durante o seminário na Unipac, os sargentos Bruna e Túlio revelaram dados que reforçam a dimensão do problema em Uberaba: somente na área do 67º Batalhão de Polícia Militar, são registradas pelo menos 120 ocorrências de violência doméstica por mês. O número expressivo evidencia a demanda contínua pelo trabalho da Patrulha e a necessidade de uma atuação cada vez mais integrada entre os órgãos de proteção. Os militares reforçaram que o enfrentamento à violência de gênero exige não apenas a punição dos agressores, mas uma mudança cultural profunda, além do fortalecimento da rede de acolhimento para que as mulheres se sintam encorajadas a romper o ciclo do medo e denunciar.
Culpa que não é da vítima
Aos alunos do curso de Direito da Unipac, os sargentos Bruna e Túlio detalharam o funcionamento da rede de proteção e enfatizaram a importância da denúncia no enfrentamento à violência doméstica. Os militares alertaram sobre o injusto julgamento social que recai sobre as vítimas, reforçando que a culpa jamais pode ser atribuída a quem sofre a agressão. Eles explicaram que a demora ou a ausência de providências contra o agressor, muitas vezes, é motivada por fatores psicológicos, econômicos, sociais e estruturais, situação que se agrava quando a mulher não pode contar com o apoio de familiares ou amigos para romper o ciclo de violência.
O paradoxo da violência
A criminalista Roberta Toledo, mediadora dos debates no seminário da Unipac, trouxe uma reflexão sobre as complexidades que envolvem a violência de gênero. Ela reforçou a necessidade de as mulheres analisarem os padrões culturais arraigados para mudar essa realidade. Em sua fala, a advogada destacou um dado que provoca reflexão: na violência doméstica contra a mulher, os homens são os principais agressores na maioria dos casos. No entanto, quando se trata de violência praticada contra crianças, são as mulheres que lideram as estatísticas, evidenciando que o problema da violência intrafamiliar é multifacetado e exige olhares igualmente complexos das políticas públicas.
Família em risco
Os integrantes da Patrulha contra a Violência Doméstica alertaram ainda para o problema das drogas e como elas têm desestruturado lares, transformando idosos e pais em vítimas silenciosas. Diferentemente dos casos de violência contra a mulher, em que o agressor geralmente é o companheiro, nessas ocorrências o vínculo parental torna a denúncia ainda mais dolorosa e complexa. Os militares reforçaram que a rede de proteção também está atenta para essa realidade crescente, oferecendo acolhimento adequado àqueles que sofrem violência dentro de casa, muitas vezes por aqueles que um dia protegeram.
Emoção que conscientiza
Ao final do evento promovido pelo curso de Direito da Unipac, os acadêmicos apresentaram uma encenação teatral que emocionou os presentes. No palco, uma mulher com sinais visíveis de agressão compartilhou, em uma performance realista, como a violência se instala, a dificuldade de reconhecer o problema e a importância de buscar ajuda para romper as correntes que impedem a retomada da vida. A apresentação reforçou, de forma sensível e impactante, todos os aspectos abordados pelos sargentos Bruna e Túlio durante a palestra, traduzindo em arte a dor e a esperança que marcam a luta das vítimas de violência doméstica.
Educação como escudo
É nesse contexto de violência crescente que a vereadora Denise Max (Supra) cobra da Prefeita Elisa Araújo o cumprimento de uma legislação federal que, segundo ela, pode ser decisiva na mudança de mentalidade das futuras gerações. Trata-se da Lei Federal nº 14.164, que inclui nos currículos da educação básica, como tema transversal, a prevenção da violência contra a mulher, além de instituir a Semana Escolar de Combate à Violência contra a Mulher. A parlamentar apresenta o Requerimento nº 00895/2025, para reivindicar, uma vez mais, que o Município de Uberaba efetive a norma nas escolas públicas municipais e particulares.

(Foto: Rodrigo Garcia/Decom/PMU)
Lei ignorada
Aprovada e publicada no Diário Oficial da União, a Lei Federal nº 14.164 altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional para tornar obrigatória a abordagem do enfrentamento à violência de gênero nas salas de aula. No entanto, a vereadora Denise Max alerta que, passado mais de um ano da cobrança formal, o Município ainda não implementou a medida. Para a parlamentar, inserir o debate nas escolas é fundamental para desconstruir a cultura de normalização da violência desde a infância. "Não podemos esperar que novas gerações repitam ciclos de agressão. A educação é o caminho mais eficaz para prevenir feminicídios e proteger meninas e mulheres", reforça a autora do requerimento.
Mais uma vítima da BR-050
Bruno Felipe Santos, de 30 anos, morreu após ser atropelado por uma combinação de veículos de carga na noite do último sábado (7), por volta das 23h30, no km 174,8 da rodovia BR-050, entre o bairro Laranjeiras e o conjunto Volta Grande. O trecho, que fica próximo à Havan, tem sido palco recorrente de acidentes fatais e se tornou foco de preocupação das autoridades locais diante da falta de providências efetivas por parte da concessionária que administra a rodovia.
Luta por soluções ignorada
A vereadora Lu Fachinelli, que tem mobilizado autoridades municipais, estaduais e federais para buscar uma solução urgente junto à concessionária, desabafou após mais uma pessoa perder a vida no local. A parlamentar lembrou à coluna que seu trabalho foi subvalorizado por um colega de vereança, que a acusou de estar criando uma Comissão Especial de Investigação "do nada" apenas para atender a interesses do governo. A crítica, segundo ela, ignora a gravidade da situação e desrespeita as famílias que já perderam entes queridos naquele trecho.

(Foto: Rodrigo Garcia/Decom/CMU)
Compromisso com a vida
"A considero mais uma vítima que se soma a outras como motivação para uma CEI cujo compromisso é com a vida e a segurança das pessoas", afirmou a vereadora Lu Fachinelli, reforçando que não medirá esforços para uma solução definitiva junto à concessionária. "Não podemos mais esperar que outras vidas sejam interrompidas. Se para alguns insensíveis uma vida jovem interrompida não é nada, é preciso rever conceitos! Minha preocupação tem base em dados alarmantes de acidentes com vítimas fatais e a necessidade de conter esse absurdo!", completou a parlamentar, demonstrando determinação em dar continuidade às investigações e cobranças.
Feira da Agricultura Familiar ganha frequência semanal
Nesta terça-feira (10), Uberaba recebe a 14ª edição da Feira da Agricultura Familiar no Calçadão da rua Artur Machado, das 7h às 13h. A iniciativa da Secretaria do Agronegócio (Sagri) em parceria com a Associação dos Horticultores do Vale do Rio Grande (Horvagra) reúne 17 feirantes que comercializam hortifrutigranjeiros frescos, artesanato, pastel de feira e quitandas. A novidade fica por conta da periodicidade: a partir de agora, a feira do Centro passa a ser semanal, atendendo a uma demanda antiga da população.
Ampliação fortalece agricultores e comunidades
O secretário municipal do Agronegócio, Luís Renato Tiveron, anunciou que a mesma frequência será adotada pela feira do bairro Olinda a partir do dia 17, com edições todas as terças-feiras à tarde. "A população pediu, conversamos com os feirantes e eles toparam a empreitada semanal", comemorou. A programação desta terça ainda conta com apresentação da cantora Giovanna Rocha, às 9h, e vacinação disponibilizada pela Secretaria Municipal de Saúde. Tiveron destacou que a ampliação dos espaços facilita o escoamento da produção dos agricultores familiares, fortalecendo a economia local e garantindo alimento fresco na mesa dos uberabenses.
Presbíteros se reúnem sob liderança de Dom Paulo
Na manhã desta terça-feira (10), a Arquidiocese de Uberaba realizou a reunião de presbíteros sob a liderança de Dom Paulo Mendes Peixoto, que no último dia 25 de fevereiro celebrou 75 anos de vida e 20 anos de episcopado. O encontro constitui um espaço fundamental para a atualização das diretrizes de formação presbiteral, além do planejamento pastoral e ações voltadas à sinodalidade e à missão evangelizadora da Igreja Católica na região.

(Foto: Divulgação)
Igreja fortalece planejamento pastoral
Durante a reunião, foram abordados temas pastorais e administrativos de grande relevância para a vida e a missão da Igreja nos 20 municípios que compõem o território arquidiocesano. Os presbíteros puderam discutir diretrizes que orientam o trabalho evangelizador e a atuação junto às comunidades, reforçando o compromisso com a sinodalidade e a busca por uma ação eclesial cada vez mais alinhada às necessidades do povo de Deus. O encontro reafirma o papel da Arquidiocese na condução dos trabalhos pastorais e na formação contínua de seus sacerdotes.
Gameleira celebra São José
A Paróquia São José, localizada na Praça Pio XII, 28, no bairro Gameleira, deu início no dia 5 de março à sua tradicional Festa em Louvor ao Padroeiro, que se estende até o dia 19. Com o tema "Com São José, lutemos por moradia digna para todos", a programação religiosa inclui missas diárias às 19h, precedidas pela oração do Terço às 18h30. As comemorações que prometem movimentar a comunidade católica uberabense até a solenidade de encerramento.
Programação social anima os festejos
Além das celebrações religiosas, a festa conta com uma animada programação social após as missas, com comidas típicas, bingos e leilões. Destaque para o "Almoçando com São José" no dia 15 de março, domingo, das 12h às 14h, no Salão Paroquial, com cardápio especial de pernil, macarrão a bolonhesa, arroz, feijão de caldo e salada, ao valor de R$ 30,00. A comunidade ainda pode participar dos bingos eletrônicos nos dias 13 e 14 de março, com prêmios que variam de R$ 1 mil a R$ 2 mil.

(Foto: Divulgação)
Solenidade de encerramento
O ponto alto da festa ocorre no dia 19 de março, Solenidade de São José, com missas especiais nos horários de 6h, 8h, 9h30, 11h30 e 14h. A Missa Solene de Encerramento será celebrada às 18h, seguida de procissão pelas ruas do bairro Gameleira, conduzindo a imagem do padroeiro. O pároco, Padre Elcimar Benedito e a comissão de festas, convidam toda a população para participar desse momento de fé e confraternização em honra a São José, venerável padroeiro da paróquia.
Frase
“Violência doméstica mata nossas mulheres e deixa filhos órfãos." — (Maria da Penha)