Ano novo, velha realidade
Na Praça Dr. Jorge Frange, conhecida por ter abrigado a “rodoviária velha” um problema antigo continua a preocupar: drogas, intimidação e insegurança continuam presentes na região. O local está novamente tomado por pessoas em situação de rua. Significativa parcela é composta dependentes de drogas ilícitas e álcool. Além dos conhecidos prejuízos para o comércio no entorno, a situação que eleva o risco de furtos e agressões tem se agravado com relatos de abordagens intimidatórias, principalmente contra mulheres e idosos, para forçar "doações" em dinheiro que tem como objetivo sustentar o vício.
Desafio vai além da fome
O problema na praça do bairro São Benedito, ponto turístico que abriga a escultura do Andarilho São Bento e a Feirarte, vai além da mendicância. Viciados têm invadido estabelecimentos, especialmente os que comercializam alimentos, para intimidar clientes e provocar constrangimento àqueles que consomem no local. Apesar de alegarem fome, raramente aceitam comida quando oferecida. A motivação real, conforme observado por comerciantes e moradores, é o desejo insaciável por drogas, que se transformou no único guia de suas ações, tornando as abordagens de caráter assistencial ineficazes e exigindo uma resposta pública mais estruturante.

(Foto/Reprodução)
Rodoviária tem o mesmo cenário
O cenário de insegurança e degradação não se limita à Praça Dr. Jorge Frange. Perto dali, nas imediações do Terminal Rodoviário Jurandyr Cordeiro, a situação se repete. As calçadas do entorno estão sempre tomadas, e o consumo de drogas em via pública tornou-se comum. No interior da rodoviária, usuários abordam e intimidam passageiros, especialmente os mais vulneráveis, enquanto disputas por "doações" não raro geram conflitos e até agressões físicas entre eles. A presença esporádica de policiamento não tem sido suficiente; a sensação de impunidade estimula pequenos furtos e danos a veículos estacionados por quem deseja comprar passagem, uma forma de penalizar aqueles que se recusam a "contribuir".
Ruas comerciais não tem paz
O problema das abordagens agressivas por pessoas em situação de rua e dependentes químicos não se restringe a pontos isolados, se espalha por todas as regiões comerciais de Uberaba. Vias com intensa circulação, como Tristão de Castro, São Benedito, Capitão Manoel Prata, Artur Machado (Calçadão), Santos Dumont, Santa Beatriz e Prudente de Morais, lidam diariamente com a situação. É praticamente impossível entrar em estabelecimentos como padarias, lanchonetes, supermercados, farmácias e bancos sem ser abordado e compelido a fazer uma "doação".
Não tem hora, nem lugar!
Além dos locais já mencionados, ao longo de todos os dias situação parecida se repete nas proximidades do Mercado Municipal, igrejas com grande movimentação de fiéis, próximo a terminais do transporte coletivo e em semáforos espalhados pelos principais cruzamentos da cidade. O medo tem alterado o comportamento de muita gente. A sensação de que uma recusa pode levar a um furto, agressão e mesmo dano à veículo, tem feito com que muitas pessoas já saiam de casa com dinheiro trocado separado, assim podem evitar ter que abrir a carteira ou a bolsa durante as abordagens e se expor a uma ação mais violenta.
Entre o acolhimento e a compulsoriedade, uma complexa encruzilhada
A busca por soluções para a crise das drogas, responsável por contribuir de forma direta para o crescimento da população de rua, não é um desafio exclusivo de Uberaba, pois consome gestores em todo o Brasil. Em Niterói (RJ), a tentativa de criar uma política municipal de acolhimento humanizado a pessoas com transtornos mentais e/ou em uso abusivo de drogas resultou na Lei nº 3.997/2025. No entanto, a norma, que previa "acolhimento sem consentimento", foi considerada inconstitucional pela Defensoria Pública da União, Ministério Público Federal e Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, que classificaram a intenção como algo semelhante a autorizar uma internação psiquiátrica compulsória, o que foi considerado desumano por nota técnica emitida em conjunto.
Quando a defesa de direitos colide com a realidade do vício
Este posicionamento institucional, embora fundamentado em garantias legais, expõe um impasse prático dramático. Ao vedar medida não consentida, mesmo para indivíduos em grave crise e sem autonomia devido ao vício, a interpretação vigente, segundo críticos, acaba por favorecer indiretamente o ciclo da dependência e do tráfico. Transforma famílias desesperadas, o poder público e a sociedade, em reféns da "vontade" do usuário que, na realidade, é conduzida pelo desejo incontrolável pela droga.
Velho desafio, novo comando
A Prefeita Elisa Araújo conhece de perto o problema. Em outubro de 2025 a primeira etapa do programa “Uberaba Ordenada – Cidade Segura”, deflagrou ações de acolhimento e atendimento social, em especial nas praças Doutor Jorge Frange e Carlos Terra. Foram atendidas dezenas de pessoas, mas apenas duas aceitaram ser encaminhadas a casas de acolhimento institucional, o restante preferiu continuar em situação de rua. O consumo de drogas e as consequências que ele traz para a cidade se tornaram um dos principais problemas enfrentados pela Guarda Civil Municipal, instituição que a partir do próximo dia 08/01 terá um novo comandante: o GCM Danilson de Freitas.

(Foto/Divulgação/GCM)
Campeão brasileiro de jiu-jítsu e acadêmico de Direito
O homem que vai assumir o comando da GCM se destaca tanto pela formação acadêmica quanto pelas conquistas esportivas. Aluno do curso de Direito na Unipac de Uberaba, ele também é campeão brasileiro de jiu-jítsu pela Confederação Brasileira da modalidade. Sua trajetória na corporação, iniciada em 2020, é marcada por atuação em setores estratégicos, como a segurança do Gabinete do Executivo e o policiamento do acervo de armas.
Carreira é construída com disciplina
Natural de Sobradinho (DF), Danilson de Freitas mudou-se para Uberaba em 2019 após ser aprovado em concurso. Antes de ingressar na GCM, atuou como supervisor de segurança em empresa privada na capital federal. Sua formação inclui Graduação em Gestão Pública e Pós-graduação em Direito Processual Penal, base que vai complementar a graduação em Direito, que se aproxima. Na corporação, recebeu registros de notas meritórias pelo desempenho em funções como a fiscalização dos decretos pandêmicos.
Atleta vencedor leva disciplina do tatame para o comando operacional
Além da carreira na segurança pública, o novo comandante carrega mais de 15 títulos conquistados no jiu-jítsu, incluindo o de campeão mundial pela CBJJE. A experiência como atleta de alto rendimento, marcada por disciplina, estratégia e liderança, será um dos pilares de sua gestão à frente dos 125 integrantes da GCM. A expectativa é que esses atributos contribuam para o comando das atividades administrativas e operacionais da corporação.
Solenidade marca transição de comando
A transição do comando da Guarda Civil Municipal de Uberaba será oficializada no dia 8 de janeiro, em solenidade pública no Tatersal Rubico de Carvalho, no Parque Fernando Costa. O evento, promovido pela Secretaria de Segurança Pública, marcará a saída do comandante Marcelo Santos, que permanece na corporação como guarda municipal. Sua gestão, iniciada em janeiro de 2023, foi decisiva para a valorização da carreira e o fortalecimento operacional da GCM.

(Foto/Divulgação/GCM)
Gestão anterior deixa legado importante
À frente da GCM, Marcelo Santos liderou avanços institucionais históricos. Sua gestão garantiu a aprovação do Plano de Cargos e Salários após mais de 20 anos, assegurando dignidade e melhor remuneração aos agentes. Criou a Patrulha Maria da Penha e implantou os Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo (IMPOs), cumprindo um Termo de Ajuste de Conduta celebrado com o MP. Também consolidou a atuação integrada com outras forças e secretarias, com média de 30 mil atendimentos anuais à população.
Missão humanitária, regimento interno e investimentos marcam últimos três anos
O legado operacional inclui a participação em missão humanitária no Rio Grande do Sul, o desenvolvimento do Regimento Interno da corporação e a captação de R$ 197 mil do Poder Judiciário para equipar a Patrulha Escolar. A gestão de Marcelo Santos também renovou a frota de viaturas por meio de licitação. Este conjunto de ações estruturantes deixa uma GCM mais valorizada, equipada e integrada para o novo comando, que assume com a missão de dar continuidade a este projeto de fortalecimento da segurança pública municipal.
Frase
"A efetividade da segurança pública repousa na integração institucional, no rigor do planejamento e na busca contínua pelo êxito comum." (Antonio Carlos Bloch)