Solidariedade aos estudantes
O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) divulgou nota de apoio e solidariedade aos estudantes, professores e técnicos da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) que se mobilizaram contra manifestações e a presença de grupos identificados pelo partido como nazifascistas no ambiente universitário. A legenda, que tem Maria Alice como candidata a deputada estadual pela região, classificou a mobilização estudantil como legítima reação à disseminação de discursos de ódio. O partido também criticou o que considera omissão das instituições diante do avanço de grupos de extrema-direita.
(Foto/Reprodução)
Liberdade de expressão
Na nota, o PSTU afirma que a liberdade de expressão não pode servir de justificativa para manifestações de racismo, homofobia, machismo ou apologia ao nazismo. A legenda relaciona os episódios registrados na UFTM a um movimento mais amplo de crescimento da extrema-direita em Uberaba, no Triângulo Mineiro e no país. O posicionamento também cita manifestação recente dos cursos de História e Serviço Social da universidade, defendendo que violência e reação a ela não sejam tratadas como situações equivalentes.
Mobilização como resposta
O PSTU sustenta que notas e medidas institucionais seriam insuficientes para enfrentar o que classifica como avanço da extrema-direita. Na avaliação da legenda, a resposta deve passar pela organização e mobilização de trabalhadores e estudantes. A nota encerra com uma convocação à resistência política e social contra o fascismo, defendendo a atuação nos espaços públicos, locais de trabalho e universidades.
Problema não é novidade
Os episódios registrados agora na UFTM não são inéditos. Entre abril e maio de 2025, a universidade já havia recebido denúncias envolvendo supostas ameaças de um grupo neonazista contra integrantes da comunidade acadêmica, incluindo relatos de intimidação à população LGBTQIAPN+. Na ocasião, a Reitoria registrou boletim de ocorrência e encaminhou as informações à Comissão Disciplinar Discente.
Investigação em andamento
O caso de 2025 também ultrapassou os limites administrativos da universidade e chegou à Polícia Civil de Minas Gerais. A UFTM procurou as autoridades de segurança para discutir o assunto e registrou Boletim de Ocorrência. A PCMG instaurou procedimento para apurar possível configuração de crime e informou que as investigações continuam em andamento..
Alerta que permanece
A própria UFTM já havia declarado, em abril de 2025, repúdio a publicações que incitassem ódio, violência ou discriminação e afirmou ter encaminhado registros às autoridades competentes. Em maio, voltou a manifestar preocupação com relatos de violência e reforçou que não tolera violência, assédio ou discriminação em seus espaços. Mais de um ano depois, a repetição de episódios envolvendo intolerância e apologia ao nazismo mostra que o alerta feito naquela época permanece atual e sinaliza a necessidade de medidas mais duras na comunidade acadêmica.
Não é só na UFTM
Os episódios de intolerância que voltaram a colocar a UFTM no centro das discussões estão longe de ser um problema isolado no ambiente educacional de Uberaba. Em 2025, a coluna Conexão Urbana! também registrou denúncias de homofobia no IFTM e diversos relatos de bullying em escolas públicas e privadas da cidade. Os casos revelam que a violência motivada pelo preconceito atravessa diferentes níveis de ensino e instituições. Mais do que episódios pontuais, são sinais de uma realidade que exige atenção permanente de famílias, educadores e autoridades.
Homofobia
Entre os relatos registrados pela coluna em 2025, um deles envolvia um estudante do Ensino Médio de uma escola estadual localizada em um bairro considerado nobre. Segundo a mãe, o adolescente sofria bullying recorrente por ser considerado pelos colegas “suspeito” de ser homossexual. As agressões teriam ocorrido presencialmente e nas redes sociais, incluindo conteúdos de cunho sexual produzidos com inteligência artificial, além de um episódio de violência física. A mãe afirmou ainda que outros estudantes também seriam vítimas de homofobia e que, em sua avaliação, o preconceito estaria sendo estimulado inclusive por alguns pais.
Preconceito social
Engana-se quem imagina que pagar uma mensalidade alta é garantia de manter os filhos longe da violência. Em 2025, a coluna recebeu denúncia sobre ameaças feitas em uma tradicional escola particular de Uberaba contra estudantes bolsistas. Segundo o relato dos pais que nos procuraram, um grupo de alunos teria utilizado um grupo de WhatsApp para defender que era preciso “dar cabo dos sangues ruins”, numa referência preconceituosa aos colegas de famílias menos abastadas.
O preço do sobrenome
Na mesma escola, segundo outros relatos encaminhados à coluna, o preconceito contra bolsistas não seria um episódio isolado. Um dos eventos narrados contou o caso de uma criança da Educação Infantil que teria sido alvo de bullying por não possuir um “sobrenome importante”. Durante uma atividade escolar, a menina, que havia levado uma boneca simples, teria sido colocada pelas colegas na condição de “babá” das bonecas mais caras (Bebê Reborn). A família teria procurado a direção da escola, mas, segundo a denúncia, nenhuma providência teria sido tomada.
Quando a escola se cala
As denúncias de 2025 também levantaram uma questão urgente: qual deve ser a responsabilidade das escolas diante de situações de preconceito e violência? Não faltam relatos de pessoas que teriam procurado a direção das escolas em busca de providências, mas afirmaram não ter encontrado a resposta esperada. Quando a escola escolhe o silêncio diante da violência, o problema não desaparece, pelo contrário pode crescer ante a omissão de quem deveria proteger um espaço que deveria se dedicar a formar para a vida cidadã.
Livro necessário
Em meio aos episódios de intolerância que vêm sendo registrados em diferentes instituições de ensino da nossa cidade, uma publicação que se propõe a discutir neonazismo e o grave cenário que ele acarreta, está em desenvolvimento e chega em breve às livrarias de todo o país. “O Labirinto das Intolerâncias: Neonazismo, Misoginia e Homofobia crescem nas escolas brasileiras”, da FSRamos Edições, não pretende apenas apontar a existência do problema, mas contribuir para que a sociedade compreenda como diferentes formas de preconceito podem encontrar espaço justamente onde deveriam prevalecer o respeito, o diálogo e a formação cidadã. É uma obra que nasce de uma preocupação legítima e necessária com o futuro da educação e da democracia.
Conhecimento contra o preconceito
O enfrentamento da intolerância começa também pela capacidade de compreendê-la. Ao reunir diferentes olhares sobre fenômenos como neonazismo, misoginia e homofobia, o livro amplia o debate para além dos episódios isolados e procura identificar mecanismos que favorecem a disseminação do preconceito entre crianças e adolescentes. A iniciativa é particularmente importante porque a escola não pode ser vista apenas como o lugar onde o problema será punido depois que acontece. Ela precisa ser também um espaço permanente de prevenção, formação ética, pensamento crítico e construção de uma cultura de respeito às diferenças.
17 autores, uma preocupação
A pluralidade de experiências é uma das marcas da publicação educadores, advogados, jornalistas, psicólogos, terapeutas e políticos. São nomes como: François Silva Ramos, Marcos Aparecido Pereira, Leilane Virgínia Vieto Penariol, Evacira Gonçalves Coraspe, Kaká Carneiro, Sérgio Henrique Marçal, Ary Luiz de Oliveira Peter Filho, José Humberto de Almeida, Claudete Inês Kronbauer, Viviane Saud Sallum Gonçalves, Sebastião Severino Rosa, Clebia Barbosa dos Reis, Alessandra Carvalho Abrahão Sallum, Rossana Cussi Jeronimo, Ripposati Filho, Orlando Vasconcelos Folador e William César de Oliveira. São 17 pesquisadores reunidos em torno de uma questão que ultrapassa posições individuais: como impedir que o preconceito, o discurso de ódio e o extremismo sejam naturalizados no ambiente escolar?
Um lançamento que propõe reflexão
O lançamento nacional de “O Labirinto das Intolerâncias” está sendo preparado pela FSRamos Edições para o dia 27 de novembro, às 19h. O evento está previsto para ocorrer no Museu Ateliê das Chiteiras, em Uberaba, espaço idealizado por Evacira Gonçalves Coraspe, que também integra a autoria da publicação. A aproximação entre livro, arte e cultura reforça o caráter simbólico da iniciativa. Afinal, se a intolerância constrói muros, o conhecimento pode ajudar a derrubá-los. Em tempos nos quais a violência e o preconceito voltam a preocupar comunidades escolares, promover reflexão também é uma forma de prevenção.
Tio Fafá no Hallel
O padre Fabiano Roberto, o querido Tio Fafá, está confirmado entre as atrações da 39ª edição do Hallel Franca, que acontece de 4 a 7 de setembro de 2026. O sacerdote uberabense estará ao lado de nomes de grande projeção nacional, como os padres Marcelo Rossi e Fábio de Melo, a banda Rosa de Saron e o Instituto Hesed. A participação representa também uma espécie de embaixada da fé uberabense em um dos maiores encontros católicos da região. Em 2025, o Hallel reuniu mais de 100 mil pessoas e Tio Fafá também esteve entre as atrações.
(Foto/Divulgação)
Missa das Velas
A popularidade de Tio Fafá em Uberaba não é por acaso. Pároco da Paróquia São Geraldo Majela, no bairro Alfredo Freire, o sacerdote conquistou uma legião de fiéis com uma maneira espontânea e próxima de celebrar e evangelizar. Um dos momentos que mais mobilizam a comunidade é a Adoração ao Santíssimo, conhecida como “Missa das Velas”, que reúne verdadeiras multidões. A celebração se tornou uma das marcas do trabalho pastoral do padre Fabiano e demonstra a capacidade que ele tem de aproximar especialmente os jovens e as famílias da Igreja.
Medalha Major Eustáquio
O reconhecimento pelo trabalho desenvolvido pelo sacerdote também ultrapassou os limites da comunidade religiosa. Na última semana, Tio Fafá recebeu da Câmara Municipal de Uberaba a Medalha Major Eustáquio, mais elevada honraria concedida pelo município. A homenagem foi proposta pelo vereador Tulio Michelli. Coube ao padre Fabiano fazer o discurso em nome dos homenageados, oportunidade em que agradeceu aos vereadores e à prefeita Elisa Araújo. Em sua fala, destacou a importância da perseverança e deixou uma reflexão que sintetiza sua maneira de enxergar a vida: “Se gente não tivesse sigo feita para ser feliz, Deus não teria caprichado tanto nos detalhes”.
Frase
"O nazismo não foi uma explosão de loucura, mas a consequência lógica de ideias cultivadas por muito tempo." — Hannah Arendt