FABIANO ELIAS

O mapa da eleição: paixão, estratégia e matemática

Fabiano Elias
Fabiano Elias
Publicado em 25/09/2026 às 09:05
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Um país cada vez mais polarizado

A cada dia, vemos uma polarização muito grande e cristalizada entre os polos de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. O país está literalmente dividido.

Os números recentes ajudam a dimensionar esse cenário. No Datafolha divulgado em 21 de setembro, Lula aparecia com 39% e Flávio Bolsonaro com 36% no primeiro turno. No segundo turno, Lula tinha 46% e Flávio 44%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

É uma eleição marcada pela força de dois campos políticos muito bem definidos e por um eleitorado bastante consolidado em torno dos dois principais nomes.

A matemática de uma eleição apertada

Paixões à parte, e com a matemática e a estratégia no coração, temos uma posição clara. Pode estar certa ou errada, mas é uma posição e uma percepção de rua, de quem tem 30 anos exatos acompanhando e trabalhando em eleições.

Nossa leitura é que essa eleição entre Lula e Flávio Bolsonaro só será decidida no segundo turno e com uma margem, no máximo, de 2,5% de votos de diferença, para um lado ou para o outro.

É uma leitura própria, baseada em experiência e observação, e não uma previsão estatística.

A geografia do voto

Tomo a iniciativa de trazer o leitor para dentro das articulações nacionais e das estratégias da eleição presidencial, analisando o país pela divisão regional do eleitorado.

A matemática é clara: Sudeste e Nordeste concentram juntos 69,20% do eleitorado brasileiro.

Sudeste. Vamos estado por estado?

São Paulo possui 34.104.226 eleitores. As pesquisas recentes mostram uma disputa competitiva. Há uma certa vantagem para Flávio Bolsonaro neste importante estado. Historicamente, há um antipetismo no estado de SP. Tanto que o PT jamais administrou este estado.

Rio de Janeiro possui mais de 12,8 milhões de eleitores. É o terceiro maior colégio eleitoral do país e é outro estado em que este colunista trabalha e percebe uma vantagem para Flávio Bolsonaro.

Minas Gerais possui mais de 16 milhões de eleitores. É o segundo maior colégio eleitoral do Brasil. Aqui, o cenário é de equilíbrio, e os candidatos devem terminar as eleições de 2026 praticamente empatados, assim como aconteceu em 2022.

Espírito Santo é o menor colégio eleitoral do Sudeste. Possui pouco mais de 2,9 milhões de eleitores. A leitura exposta até o momento apresenta vantagem para Flávio.

No conjunto, o Sudeste coloca mais de 66 milhões de eleitores na mesa.

Centro-Oeste: o território do agronegócio

O Centro-Oeste possui cerca de 12 milhões de eleitores, distribuídos entre Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.

Nos três estados ligados fortemente à agropecuária — Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás — nossa leitura é de vantagem gigantesca para Flávio Bolsonaro.

No Distrito Federal, com mais de 2 milhões de eleitores, há uma vantagem explícita para Flávio Bolsonaro. Aqui caberá ao Lula apenas diminuir danos. Perder de forma menos acachapante.

A estratégia pode ser resumida em duas expressões: Flávio buscará abrir vantagem; Lula buscará diminuir os danos.

Região Sul: outro campo de disputa com ampla vantagem ao bolsonarismo

A Região Sul é outro importante território da eleição presidencial. São 22,8 milhões de eleitores, que equivalem a 14,40% do eleitorado brasileiro.

No Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, nossa leitura é de vantagem para Flávio Bolsonaro.

Embora Santa Catarina e Rio Grande do Sul tenham uma agricultura com forte presença de pequenos e médios produtores, o campo político ligado aos Bolsonaros vem apresentando força eleitoral na região desde 2018.

A estratégia pode ser resumida assim: Flávio buscará abrir o maior número possível de votos; Lula buscará diminuir os danos.

Região Norte: um mapa desigual

A Região Norte possui 13,1 milhões de eleitores, ou 8,26% do eleitorado brasileiro.

O Pará, com mais de 6,2 milhões de eleitores, é o maior colégio eleitoral da região, seguido pelo Amazonas, com mais de 2,8 milhões.

Na nossa leitura, Pará e Amazonas são os principais focos da disputa no Norte.

Para Flávio Bolsonaro, a estratégia passa por ampliar sua presença no eleitorado ligado ao agronegócio, especialmente no Pará, Tocantins e Rondônia, enquanto busca reduzir diferenças no Amazonas.

Para Lula, o objetivo estratégico é preservar sua força no Pará (onde o PT sempre ganha com a força da família Barbalho) e no Amazonas e, onde houver espaço, ampliar sua vantagem. Acre, Amapá e Roraima são os menores colégios eleitorais do Brasil e não têm merecido tanta atenção dos presidenciáveis.

Nordeste: o grande X da questão

Para este colunista, aqui está o grande “X da questão” das eleições de 2026.

O Nordeste possui 43,5 milhões de eleitores, ou 27,42% do eleitorado brasileiro. É, portanto, um território central na matemática da eleição presidencial.

Os maiores colégios eleitorais são Bahia, com mais de 11,3 milhões; Pernambuco, com mais de 7,2 milhões; Ceará, com mais de 6,9 milhões; Maranhão, com mais de 5,1 milhões de eleitores; Paraíba, com 3,2 milhões de eleitores; e Rio Grande do Norte, com 2,6 milhões de eleitores.

Sergipe, Piauí e Alagoas possuem eleitorados menores, mas nem de longe deixam de ser importantes.

Historicamente, o campo político liderado pelo PT tem obtido resultados expressivos no Nordeste. É a região onde o PT costuma conclamar as suas vitórias.

Para Flávio, o desafio estratégico é reduzir a diferença, especialmente nos maiores colégios eleitorais. Para isso, ele precisa ter bons palanques eleitorais, com bons candidatos a governador nos seis maiores redutos políticos do Nordeste: BA, PE, CE, MA, PB e RN.

Para Lula, o objetivo é preservar e ampliar sua força na região para poder compensar suas perdas nas regiões Centro-Oeste e Sul.

Ao contrário de 2022, dessa vez a chapa bolsonarista tem um vice do Nordeste. Trata-se do deputado federal Alfredo Gaspar, de Alagoas. Essa foi mais uma das estratégias eleitorais encampadas por Flávio Bolsonaro para tentar diminuir o estrago no Nordeste.

Enfim...

Enfim, as eleições presidenciais estão 100% abertas. Qualquer um dos polos políticos pode vencer o certame. E essa vitória, seja de Flávio ou de Lula, virá com uma vantagem de, no máximo, 2,5% dos votos. Aguardemos!

Fabiano Elias é assessor parlamentar e consultor político, com mais de 20 anos de experiência em mandatos e eleições. Escreve neste espaço às sextas-feiras.

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