FALANDO SÉRIO

Medidas socioeducativas não conseguem inibir o crescimento de jovens envolvidos com o crime

Wellington Cardoso
Publicado em 02/08/2019 às 19:35Atualizado em 17/12/2022 às 23:04
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François Ramos – Redator Interino

Menores

Tráfico de drogas continua sendo o crime mais cometido por menores de idade no Brasil. O número de ocorrências registradas pelas varas da Infância e da Juventude espalhadas por todo o território nacional não para de crescer. Verdade é que as medidas socioeducativas mostram-se incapazes de desestimular as condutas infracionais.

Tem mais

Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, o roubo qualificado está em segundo lugar na preferência dos “infratores”, seguido de furto e posse de droga “para uso pessoal”. Aliás, esta última é a justificativa mais utilizada quando a Polícia Militar efetiva flagrantes de tráfico. Independente da quantidade: “É pro meu uso, senhor!”

Mortes

Em meio a discursos hipócritas que não veem mal nas drogas e ainda defendem a liberação de seu uso, o que muitas vezes é chancelado pela grande mídia, o Estado mostra-se incapaz de pôr freio à desordem que impera na segurança pública, na justiça brasileira e na educação de crianças e adolescentes, que constantemente são expostos a práticas de uma liberdade sem limites, sem respeito pelas leis e que fomentam quadros sociopatas que comprometem o futuro do país.

Meu corpo...

A erotização precoce, falsas premissas de liberdade sexual, preocupação com conceitos como transsexualidade, poliamor e outros transformaram grande parte das escolas públicas brasileiras em centros de formação ideológica continuada e fabricação de jovens imaturos e inseguros. Pior a família e outras instituições importantes na formação humana não raro aparecem no discurso como “vilões”. O que se vê é a imposição de uma forte ditadura do “politicamente correto” e do desrespeito ao que é diverso desse entendimento.

Minhas regras!

Com sexo, aborto, prostituição e política se transformando no centro de preocupação das autoridades em relação à educação nacional, cresce o número de analfabetos funcionais e daqueles que não possuem habilidades matemáticas mínimas. A vontade de formar seres humanos críticos presentes nas leis brasileiras dá lugar a um processo de alienação que tem levado a um profundo empobrecimento cultural do povo brasileiro.

Limites

A expressão “meu corpo, minhas regras” deve sempre estar acompanhada da maturidade que se exige para arcar com as consequências de suas decisões e comportamentos. Afinal, a cada escolha uma renúncia. Entretanto a opção tem sido justificar que o aumento de gravidez indesejada na adolescência, o crescimento do número de menores envolvidos com o crime e até os contínuos registros de suicídios entre aqueles que ainda estão na educação básica é culpa dos pais, da exclusão e da falta de educação.

Ah tá...

Realidade é que a quase totalidade dos adolescentes já “sabe como fazer nenê” e também como evitar engravidar. O Estado fornece orientação sexual, preservativos, anticoncepcionais, mas não lhes apresenta o valor do agir consciente e da disciplina. Sim, os jovens sabem que o crime é errado, mas a impunidade lhes encoraja. Contudo, essa geração não possui maturidade para lidar com a responsabilidade decorrente de suas escolhas e foram ensinados pelo governo e pelo novo modelo de família que não precisam lidar com o fruto de seus erros e equívocos.

Papéis

A escola ensina, a família educa. Na primeira, matemática, física, química, biologia, português, redação, geografia e história devem ser a prioridade. Na segunda, respeito pelo ser humano, pela sociedade, pelo diverso e conceitos como amor, liberdade, sexo, disciplina, trabalho, ética. Ambas as instituições têm se mostrado incapazes de cumprir seus papéis. Enquanto isso cresce a violência, aumenta o crime, desaparece a solidariedade e surge uma geração completamente incapaz de lidar com suas frustrações.

Família

A família sem dúvida é um dos pilares na formação do indivíduo e o desprezo do Estado brasileiro nas últimas três décadas por essa instituição é responsável direto pelo crescimento da violência, da criminalidade e, sim, da exclusão social. Educação permissiva, consumo compulsivo, flexibilização de normas e valores para atender a interesses individuais, são algumas das características da estrutura social que a “moderna” educação ajudou a forjar.

Professor

O professor percebe faz tempo que há muito a ser corrigido no sistema educacional. Tem muita coisa errada. A disciplina e as prioridades de outrora na grade curricular têm feito muita falta. Entretanto, aqueles que expõem sua opinião “são apedrejados”. Não há interesse político em formar cidadãos críticos e conscientes de seu papel, pelo contrário, bom mesmo é aumentar a facilidade de acesso às “massas de manobra”.

Piorar?

E ao que parece o futuro do Brasil não tem boas previsões, pois já convivemos com uma realidade na qual os jovens desprezam a premissa que ter filhos é fácil, mas educar dá trabalho e custa caro. No novo modelo de família, os pais não suportam ser incomodados pelas necessidades dos filhos. Preferem compensar sua omissão com presentes e permissividade. Afinal, dizer não virou coisa de fascista.

Depósito

Ao terceirizar para os avós e para a escola as responsabilidades paternas e maternas, a sociedade contemporânea e o Estado se esquecem de que essa “demissão do exercício da paternidade” mais cedo ou mais tarde apresenta sua fatura. Esse processo que em grande parte é estimulado pela mídia e por instituições diversas contribuiu para a configuração de um quadro no qual omissão da família está se traduzindo no assustador aumento da delinquência juvenil e na ausência de comprometimento com a vida em coletividade.

Triste

A degradação atingiu há muito até a formação universitária, outrora elitizada e sinônimo de sabedoria. É triste ver que predomina nos protestos pela educação superior a crença de jovens que acreditam ser o ato de ficar pelado a melhor ferramenta para ser ouvido. Encerro com a reflexão proposta em uma música da Plebe Rude dos anos 1980: “Até quando esperar?”

Frase

“O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele.” (Immanuel Kant)

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