GERALDO DJALMA

A rivalidade que dividiu a moda de Paris entre Chanel e Schiaparelli

Geraldo Djalma
Geraldo Djalma
Publicado em 03/09/2026 às 20:10
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CHANEL X SCHIAPARELLI
Poucas rivalidades foram tão lendárias no universo da moda quanto a travada entre Coco Chanel e Elsa Schiaparelli. Muito além das passarelas e dos ateliês parisienses, a disputa entre as duas estilistas movimentou a alta sociedade europeia e alimentou incontáveis fofocas durante décadas. Enquanto Coco Chanel revolucionou a moda feminina ao libertar as mulheres dos espartilhos e introduzir um estilo elegante, prático e atemporal, baseado em linhas retas, tecidos confortáveis e na sofisticação do “menos é mais”, a italiana Elsa Schiaparelli seguia um caminho completamente diferente. Influenciada pelo movimento surrealista e por artistas como Salvador Dalí e Jean Cocteau, Schiaparelli apostava na ousadia, no humor e em criações inusitadas, como vestidos estampados com esqueletos, chapéus em forma de sapato e o famoso tom “Shocking Pink”, que se tornou sua marca registrada. A rivalidade nasceu na Paris dos anos 1930, quando ambas disputavam o título de maior nome da alta-costura. Chanel desprezava o estilo teatral da concorrente e chegou a chamá-la de “a artista que faz roupas”, numa tentativa de diminuir seu talento como estilista. Schiaparelli, por sua vez, considerava Chanel previsível e excessivamente conservadora.

A ETERNA ELEGÂNCIA DE CHANEL
Fundada em 1910 pela visionária estilista francesa Gabrielle Bonheur Chanel, apelidada de Coco Chanel, a grife Chanel tornou-se um dos maiores símbolos de elegância e sofisticação da moda mundial. Revolucionando o vestuário feminino no início do século XX, Chanel libertou as mulheres das roupas excessivamente rígidas e introduziu um estilo marcado pelo conforto, pela simplicidade refinada e pela valorização da silhueta natural. Ao longo das décadas, a maison consolidou características que se tornaram sua assinatura, como os conjuntos de tweed, o uso das pérolas, os detalhes em matelassê e a clássica combinação de preto e branco. Entre suas criações mais icônicas estão o tailleur de tweed, o vestido preto básico e a lendária bolsa 2.55, lançada em 1955, que até hoje figura entre os maiores objetos de desejo do universo fashion. A perfumaria também desempenha papel fundamental na história da marca. O Chanel Nº 5, lançado em 1921, revolucionou o mercado de fragrâncias e permanece como um dos perfumes mais famosos e vendidos do mundo. Após a morte de Coco Chanel, a grife continuou a se reinventar, especialmente sob a direção criativa de Karl Lagerfeld, que modernizou seus códigos sem perder a essência da marca. Atualmente, Chanel segue como referência absoluta em alta-costura, acessórios, perfumes e artigos de luxo, mantendo vivo um legado de elegância atemporal que atravessa gerações e continua encantando mulheres em todo o mundo.

O SURREALISMO DE SCHIAPARELLI
Fundada em Paris, em 1927, pela estilista italiana Elsa Schiaparelli, a Maison Schiaparelli nasceu para desafiar os padrões da alta-costura. Desde o início, a grife destacou-se pelo espírito inovador e pela criatividade sem limites, transformando a moda em uma verdadeira manifestação artística. Influenciada pelo movimento surrealista, Schiaparelli colaborou com nomes como Salvador Dalí, Jean Cocteau e Alberto Giacometti, criando peças que entraram para a história, como o vestido Lagosta, o vestido Esqueleto, o chapéu em forma de sapato e as criações no vibrante tom shocking pink. Sua identidade sempre esteve ligada ao exagero sofisticado, às formas escultóricas, aos bordados exuberantes e ao inesperado, fazendo de cada desfile uma verdadeira performance. Os acessórios também desempenham papel fundamental no DNA da maison. Brincos gigantes, colares com olhos, bocas, corações anatômicos, mãos douradas, chaves, cadeados e elementos inspirados na anatomia humana e na natureza transformaram as joias e bijuterias da marca em verdadeiras obras de arte. Bolsas com ferragens escultóricas, cintos, broches e botões dourados em formatos inusitados reforçam o caráter teatral e exclusivo de suas coleções. Após um período fora dos holofotes, a Schiaparelli retornou ao cenário da alta-costura em 2012 e, sob a direção criativa de Daniel Roseberry, vive uma fase de enorme prestígio. Hoje, suas coleções e acessórios dominam os tapetes vermelhos e vestem celebridades como Zendaya, Beyoncé, Lady Gaga e Cardi B, reafirmando a essência surrealista da fundadora e consolidando a Schiaparelli como uma das maisons mais criativas, ousadas e desejadas da moda contemporânea.

Coco Chanel popularizou o uso de múltiplos colares de pérolas, misturando peças verdadeiras e bijuterias com naturalidade, criando um novo conceito de elegância moderna (Foto/Reprodução)

Elsa Schiaparelli tornou-se uma das maiores criadoras de moda do século XX, conhecida por sua ousadia e criatividade (Foto/Reprodução)

Inspirada nos tecidos escoceses, Chanel transformou o tweed em assinatura da maison. O material representa conforto, sofisticação e excelência artesanal, sendo presença constante em todas as coleções (Foto/Reprodução)

A amizade e parceria entre Elsa Schiaparelli e o pintor espanhol Salvador Dalí deram origem a algumas das criações mais icônicas da moda. Levou o surrealismo para dentro dos ateliês da estilista (Foto/Reprodução)

(Foto/Reprodução)

O chapéu sapato é um clássico criado por Schiaparelli junto com Dalí. Inspirado em um sapato feminino usado sobre a cabeça, tornou-se um dos maiores ícones do surrealismo aplicado à moda (Foto/Reprodução)

Relançado em 1954, o famoso tailleur de tweed, com jaqueta de corte reto e saia na altura dos joelhos, tornou-se um dos maiores símbolos da elegância francesa e segue sendo reinterpretado até hoje (Foto/Reprodução)

O vestido Lagosta foi criado em parceria com Salvador Dalí, tornando-se um dos mais famosos da história da moda. Foi eternizado quando a socialite Wallis Simpson o vestiu em um ensaio fotográfico (Foto/Reprodução)

As coleções atuais da Chanel equilibram tradição e modernidade, mantendo elementos históricos. O tweed, as correntes douradas, as pérolas e o matelassê foram reinterpretados para uma nova mulher (Foto/Reprodução)

As peças maximalistas são uma assinatura da fase contemporânea da Schiaparelli e aparecem com frequência em editoriais de moda e tapetes vermelhos (Foto/Reprodução)

Lançado em 1921, o Chanel Nº 5 revolucionou a perfumaria e tornou-se um dos perfumes mais famosos do mundo. Ganhou mais notoriedade quando Marilyn Monroe revelou dormir usando apenas algumas gotas dele (Foto/Reprodução)

A lagosta virou quase um símbolo da maison Schiaparelli e aparece em estampas e acessórios de várias coleções (Foto/Reprodução)

As coleções Métiers d’Art homenageiam os ateliês de artesãos responsáveis pelos bordados, plissados, penas e joalheria da Chanel. São consideradas algumas das apresentações mais sofisticadas da marca (Foto/Reprodução)

Lançada em 2022, a Chanel 22 conquistou uma nova geração de consumidoras por seu design despojado e extremamente funcional. Produzida em couro macio, tornou-se um dos maiores sucessos comerciais (Foto/Reprodução)

Criado para a coleção Inverno Couture, inspirada na Divina Comédia de Dante, o vestido cabeça de leão usado por Kylie Jenner gerou enorme repercussão mundial e provocou debates entre moda e arte (Foto/Reprodução)

A grande aposta da maison nos últimos anos. Com linhas macias, bolsos utilitários e corrente entrelaçada em couro, a Chanel 25 rapidamente tornou-se uma das bolsas mais desejadas da marca (Foto/Reprodução)

Misturando referências ao corpo humano e à natureza, as joias da Schiaparelli são produzidas artesanalmente e funcionam como protagonistas dos looks (Foto/Reprodução)

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