Será que o jovem realmente odeia a política?
Nos últimos anos, tenho escutado uma frase recorrente: “os jovens não se interessam por política”. Só que depois de ir em mais de 50 escolas e instituições e conversar com muitos estudantes, eu percebi que essa frase é uma completa mentira.
Se assustou? Calma, eu vou te explicar. O jovem não está distante da política porque ele não liga. Muitas vezes, ele só não se sente parte (e mais do que isso: não é incentivado a participar).
Grande parte dessa geração cresceu vendo a política ser associada a brigas, escândalos, notícias polêmicas e discussões tensas. Então, o sentimento de repúdio que ele tem hoje vem do que ele aprendeu com o mundo. Por isso, falar sobre o assunto, pra eles, virou sinônimo de conflito. E convenhamos, ninguém se aproxima daquilo que é “chato”, né?
Só que ao mesmo tempo, existe uma contradição curiosa: os jovens falam sobre politica o tempo inteiro. Olha só: a gente fala sobre emprego, faculdade, o preço da passagem de ônibus, a fila do postinho de saúde, os impostos nas comprinhas da shoppe… Tudo isso também é política, mesmo que nem sempre eles percebam.
Com isso, a gente vai chegando numa conclusão: talvez o problema esteja justamente na forma como esse debate chegou até eles e na falta de incentivo que lhes é dada, desde sempre.
Dentro das escolas, uma das coisas que mais me chama atenção é que, quando o diálogo acontece com alguém que eles se identificam, os estudantes participam. Até mesmo quando o assunto é sobre política! Eles perguntam, e expõe suas realidades e suas opiniões, quando eles se sentem representados. Quando eles se identificam.
O desinteresse total, na prática, raramente existe. O que existe é uma geração que quer ser ouvida, mas que muitas vezes encontra ambientes onde é mais fácil atacar do que conversar.
Por isso, projetos de educação cidadã, como o Jovem Politicando, têm se tornado cada vez mais importantes. Porque antes de formar estudantes, é preciso formar consciência política.
O jovem precisa entender que política não é apenas eleição. É participação. É a nossa rotina. É compreender que as decisões tomadas hoje interferem diretamente no amanhã que ele tanto discute.
Talvez a juventude não tenha se afastado da política. Talvez ela só esteja tentando encontrar uma forma mais saudável de se conectar com ela. E esse é o objetivo do Jovem Politicando.