LUCIANO CAMARGOS

GOLPE DO FALSO ADVOGADO: quando a persuasão se torna crime e a justiça é apenas um disfarce

Luciano Camargos
Luciano Camargos
Publicado em 24/01/2025 às 18:54
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Para entender em um minuto:

  • O que é o golpe do falso advogado? Criminosos utilizam dados reais de processos judiciais e se passam por advogados para enganar vítimas, propondo acordos ou pagamentos de dívidas falsos.
  • Como o golpe funciona? Os golpistas acessam informações públicas de processos, entram em contato com a vítima, oferecem propostas vantajosas ou criam situações de urgência e solicitam pagamento via boleto ou PIX.
  • Por que o golpe é eficaz? Usam dados reais, documentos falsificados e linguagem jurídica formal para criar uma falsa sensação de autoridade e urgência, manipulando emocionalmente a vítima.
  • Quais os sinais de alerta? Pressão para decisões rápidas, ofertas de acordos incomuns e pedidos de pagamento imediato sem confirmação por canais oficiais.
  • Como se proteger? Verifique a identidade do advogado na OAB, consulte o processo diretamente no tribunal e não faça pagamentos sem confirmar a legitimidade do contato.

O golpe do falso advogado é uma prática criminosa que tem se tornado cada vez mais sofisticada, explorando vulnerabilidades emocionais e cognitivas das vítimas por meio de técnicas avançadas de engenharia social, persuasão e manipulação psicológica. Diferentemente de golpes mais tradicionais, como o do bilhete premiado, que hoje são amplamente conhecidos, essa modalidade criminosa utiliza informações reais e mecanismos de manipulação emocional para enganar com maior eficácia. Para entender a gravidade e a complexidade do golpe, é essencial analisar não apenas sua execução técnica, mas também os aspectos psicológicos que fazem dele um instrumento tão eficaz.

O golpe geralmente começa com o acesso a informações de processos judiciais que estão disponíveis publicamente. Criminosos pesquisam dados reais em sistemas de acompanhamento processual, como números de processos, nomes das partes envolvidas, valores devidos e até trechos de decisões judiciais. Essas informações, ao serem apresentadas às vítimas, criam uma forte impressão de autenticidade, uma vez que correspondem à realidade do processo ou da situação enfrentada pela vítima. Essa primeira etapa é crucial, pois estabelece a base da credibilidade do golpista.

A partir desse ponto, os criminosos entram em contato com as vítimas, muitas vezes por telefone, e-mail ou aplicativos de mensagens, utilizando uma linguagem formal e técnica que reforça sua suposta autoridade. Eles se apresentam como advogados legítimos ou representantes de escritórios de advocacia, oferecendo "ajudas" ou soluções aparentemente vantajosas. Um exemplo típico é a oferta de um acordo financeiro para reduzir uma dívida judicial, acompanhado de um prazo curto para pagamento via boleto ou PIX. Essa abordagem explora diretamente o princípio da urgência, que reduz a capacidade crítica da vítima ao pressioná-la a tomar decisões rápidas e impulsivas, sem tempo para verificar a veracidade da proposta.

Do ponto de vista psicológico, o golpe é extremamente eficaz porque utiliza elementos que ativam respostas emocionais instintivas. A urgência, combinada com a autoridade percebida de um "advogado", faz com que a vítima reaja a partir do medo e da ansiedade, sem questionar a legitimidade do contato. O medo de sofrer prejuízos financeiros, como a penhora de bens ou protestos, ativa um estado emocional que dificulta a análise racional da situação. Além disso, a utilização de documentos falsificados ou reais – como petições judiciais ou notificações com aparência autêntica – reforça ainda mais a crença de que o contato é legítimo. Esses documentos geralmente incluem timbres de tribunais, assinaturas forjadas e até mesmo links para sites que simulam portais oficiais, criando uma camada extra de convencimento.

Os golpistas também são habilidosos em criar empatia com as vítimas, utilizando uma abordagem amigável ou prestativa. Por exemplo, podem afirmar que estão "ajudando" a resolver a situação de forma rápida e econômica, posicionando-se como aliados no processo. Essa estratégia, baseada no princípio da afinidade, torna a vítima ainda mais propensa a confiar no interlocutor, especialmente quando já se encontra emocionalmente fragilizada por conta de problemas judiciais ou financeiros.

Outro ponto crítico é como os golpistas exploram a vulnerabilidade emocional das vítimas. Muitas delas já estão enfrentando situações difíceis, como endividamento, disputas judiciais ou conflitos familiares, o que as torna mais suscetíveis a acreditar em uma solução aparentemente legítima e vantajosa. A combinação de pressão emocional, informações reais e documentos convincentes cria uma narrativa tão coerente que a vítima se sente incapaz de duvidar, mesmo quando algo parece fora do lugar.

Para se proteger desse tipo de golpe, é fundamental adotar uma postura crítica e atenta. A primeira medida é sempre verificar a identidade do advogado ou escritório que fez o contato. Isso pode ser feito consultando o registro do profissional no site da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ou entrando em contato diretamente com os canais oficiais do escritório mencionado. Além disso, é importante nunca fornecer informações pessoais ou financeiras sem antes confirmar a veracidade da situação, seja por meio do acompanhamento direto do processo judicial nos portais dos tribunais, seja solicitando ajuda a um advogado de confiança.

Outro aspecto essencial é desconfiar de propostas vantajosas que exigem pagamentos imediatos. Nenhum processo judicial legítimo exige decisões apressadas, e prazos costumam ser claramente informados nos documentos oficiais. Caso receba um boleto ou solicitação de PIX, confirme a autenticidade diretamente com o credor ou com o advogado responsável pelo processo. Por fim, em caso de suspeita, denuncie o golpe às autoridades competentes, como a polícia e a OAB. Denunciar não apenas protege outras pessoas, mas também contribui para combater essa prática criminosa.

O golpe do falso advogado é um reflexo da sofisticação crescente das estratégias de fraude, que agora se baseiam em uma compreensão profunda do comportamento humano. Ao combinar dados reais, manipulação emocional e pressão psicológica, os criminosos criam uma ilusão de legitimidade difícil de ser identificada. No entanto, a conscientização e a precaução são ferramentas poderosas para evitar cair nessas armadilhas. Conhecer como o golpe funciona e manter uma postura crítica diante de contatos inesperados são os primeiros passos para se proteger e evitar prejuízos financeiros e emocionais.

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