REGINALDO LEITE

#14 – GP da Espanha II – Antonelli vence em Madri a sorte sorriu para ele

Reginaldo Baleia Leite
Reginaldo Leite
Publicado em 17/09/2026 às 08:29Atualizado em 17/09/2026 às 08:29
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Kimi Antonelli vence na pista madrilenha

Uma nova pista estreou em Madri. Com isso, os espanhóis passaram a ter um segundo Grande Prêmio no calendário da Fórmula 1 em 2026. O novo traçado é um circuito de rua, com algumas curvas cegas de alta velocidade. Em alguns setores, lembra a pista de Jedá. Ultrapassar por lá é uma missão difícil, assim como em Mônaco ou na primeira versão de Abu Dhabi. Esse tipo de traçado, normalmente, não costuma oferecer boas disputas.

A vitória, mais uma vez, ficou com Antonelli, ampliando sua vantagem na tabela sobre os demais concorrentes. Desta vez, porém, não foi uma vitória conquistada apenas no braço. Foi também uma questão de sorte. É a oitava vitória do italianinho na temporada. Verstappen terminou em segundo e Norris completou o pódio. Leclerc foi o quarto, seguido por Russell na quinta posição.

Tudo começou na sexta-feira, com a Mercedes dominando os treinos, seguida pelas Ferraris. Norris não participou do segundo treino. No sábado, vimos novamente o domínio de Kimi, seguido pelas duas Ferraris. Piastri fez o terceiro tempo, com Norris logo atrás. Max foi o quinto e Russell o sexto, ainda longe do desempenho ideal.

Na classificação, no Q1, Russell foi o mais rápido, com Antonelli na sequência. Lawson apareceu em um surpreendente terceiro lugar. Max foi o quarto e Norris o quinto. No Q2, Verstappen dominou, seguido por Antonelli, Lewis, Leclerc e Lawson. Norris foi apenas o sétimo, atrás de Russell.

E, na hora do vamos ver, veio a surpresa. (Q 3) Não foi uma Mercedes, uma Ferrari ou uma Red Bull. Norris superou os favoritos e colocou o carro laranja na pole position. Para quem não havia participado de um dos treinos e nunca tinha estado na liderança, foi uma senhora volta rápida.

No domingo, após o apagar das luzes, vimos uma sequência de saídas de pista e devoluções de posições provocadas por excursões para além dos limites do traçado. Norris foi superado por Kimi, mas voltou a liderar. Max foi obrigado a devolver a posição para Antonelli e Lewis após instruções da equipe, para evitar uma possível punição. Logo na sequência, Verstappen superou Lewis, que enfrentava problemas nos freios e, pouco depois, seria obrigado a abandonar.

Norris seguia tranquilo na liderança, até o momento em que Stroll abandonou seu carro na área de escape da curva 20. Não demorou e veio o Safety Car Virtual. No momento em que o VSC foi acionado, Lando já havia passado pela entrada dos boxes e perdeu a oportunidade de fazer sua parada. Kimi, Verstappen e Russell conseguiram entrar e efetuar a troca de pneus.

Na sequência, quando Norris se preparava para entrar nos boxes, o Safety Car Virtual foi retirado. Para completar o azar do inglês, sua troca de pneus demorou longos sete segundos, devido a uma dificuldade para retirar a roda dianteira direita. Quando voltou à pista, Norris ocupava apenas a quinta posição.

Com isso, Leclerc não parou e assumiu a ponta. O monegasco havia largado com pneus duros, assim como Bortoleto. Leclerc permaneceu na liderança até a volta 48, esperando por um Safety Car que não veio. A mesma estratégia foi adotada por Bortoleto. Quando finalmente voltou à pista, o ferrarista ocupava a quarta posição, justamente onde terminou a corrida.

Pelo que vimos nas categorias inferiores, muitos esperavam algumas aparições do carro de segurança durante a prova de Fórmula 1. A verdade é que a molecada da F3 e da F2 ainda não tem a experiência e a perspicácia dos pilotos da categoria principal. O ímpeto da juventude ainda é muito grande.

Com a parada de Leclerc, Antonelli assumiu a liderança e não mais a perdeu até a bandeirada. Tornou-se, assim, o primeiro vencedor do polêmico traçado de Madri. Norris tinha tudo para vencer, mas a sorte definitivamente não estava ao seu lado neste fim de semana

Bortoleto estava na mesma estratégia de Leclerc: largou com o composto duro, não parou no SCV e restou apostar na entrada de um Safety Car. Como o carro de segurança não apareceu, sua chance de terminar nos pontos foi perdida. O brasileiro finalizou em 13º. Seu companheiro de equipe, Hulkenberg, terminou em décimo, salvando mais um pontinho para a Audi.

Com o resultado de Madri, a Mercedes consolidou seu domínio nos dois campeonatos. Antonelli chegou aos 292 pontos e abriu 81 de vantagem sobre Russell, que soma 211.

No ano passado, a esta altura do campeonato, ninguém do meio apostaria um real no piloto italiano como possível líder do Mundial deste ano, principalmente pelas suas fracas apresentações em relação a Russell. Hoje, a realidade é bem diferente: o italianinho assumiu o protagonismo dentro da Mercedes e começa a transformar aquilo que parecia improvável em uma possibilidade cada vez mais concreta.

No Mundial de Construtores, porém, os números apresentados no texto precisam ser conferidos, pois 203 pontos para a Mercedes não podem representar a liderança se Ferrari tem 358 e McLaren 306. Se a intenção era dizer 403 pontos para a Mercedes, aí a conta faz sentido com a afirmação de que a equipe consolidou o domínio.

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