Kimi Antonelli comemora com a equipe sua segunda vitória (Foto/Reprodução)
Na já tradicional etapa japonesa, disputada em Suzuka, vimos mais uma vitória da Mercedes, com Kimi Antonelli repetindo o triunfo da etapa anterior. E desta vez, sem a companhia de George Russell no pódio. São três corridas, três vitórias da equipe alemã, algo que já se desenhava desde a pré-temporada. A surpresa, no entanto, é ver Antonelli se impor sobre Russell.
Na classificação, uma novidade:
A McLaren conseguiu se infiltrar entre as forças principais. Piastri foi terceiro, à frente de Leclerc, enquanto Norris largou em quinto, superando Hamilton. Era algo que ainda não havia acontecido na temporada. A pole foi de Antonelli e Russell veio na sequencia.
Pierre Gasly voltou a surpreender ao conquistar a sétima posição, à frente das Red Bull. Hadjar foi oitavo, Bortoleto nono e o novato Lindblad, décimo. Já Max Verstappen, para surpresa geral, ficou apenas com o 11º lugar no grid.
Corrida: roteiro conhecido, resultado inevitável
A corrida seguiu o padrão das etapas anteriores. As Mercedes voltaram a perder posições na largada, enquanto McLaren e Ferrari saíram melhor. Antonelli chegou a cair para sexto, mas, como já virou rotina, iniciou uma recuperação consistente ao longo da prova.
O diferencial desta vez foi o bom ritmo de Piastri, que chegou a liderar por um bom tempo.
Na volta 22, o ponto de virada: Oliver Bearman sofreu um forte acidente ao desviar do carro de Colapinto, que vinha em modo de recuperação de energia e, portanto, com potência reduzida. O impacto foi violento e obrigou a entrada do Safety Car.
A neutralização embaralhou as estratégias. Russell, que havia parado uma volta antes, acabou prejudicado. Já Antonelli aproveitou o momento, assumiu a liderança após sua parada e não foi mais ameaçado. Cruzou a linha de chegada com 15 segundos de vantagem sobre Piastri, que finalmente conseguiu completar uma corrida na temporada.
Leclerc segurou Russell nas voltas finais e garantiu o terceiro lugar. Russell terminou em quarto, ficando fora do pódio pela primeira vez no ano. Norris foi quinto após duelo com Hamilton, o sexto. Gasly segurou Verstappen durante quase toda a corrida e terminou em sétimo. O holandês foi apenas oitavo, seguido por Lawson e Ocon, que fechou o top-10.
Mercedes sobra, McLaren encosta e Ferrari resiste
A Mercedes segue sendo o carro a ser batido. Ainda assim, quando encontra a Ferrari pela frente, enfrenta mais dificuldades, especialmente nas curvas, onde os italianos são mais eficientes. O problema italiano segue sendo a velocidade de reta.
A McLaren, por sua vez, mostrou evolução e conseguiu se aproximar e superar a Ferrari. Ainda assim, nenhuma equipe foi capaz de, de fato, ameaçar o domínio alemão até aqui. Algo só poderá ser possível em condições específicas ou em cenários fora do normal.
O ponto crítico: uma “tragédia anunciada”
O assunto dominante no paddock foi o acidente de Bearman. A situação expôs um problema sério do regulamento atual: quando um carro entra em modo de recuperação de energia, perde potência significativa, algo próximo de 470 Hp, o que gera diferenças de velocidade que podem chegar a 60 ou 70 km/h, ou mais dependo do local e situação de momento.
Esse tipo de cenário já havia sido alertado por alguns pilotos e chefes de equipe. O acidente, portanto, não surpreende, era uma tragédia anunciada.
Regulamento sob pressão
A insatisfação com o novo regulamento é crescente. Exceto, claro, dentro da Mercedes. A maioria dos pilotos já se posicionou contra as mudanças. A crítica é clara: os carros perderam parte da essência e a graça da pilotagem no limite.
Um ótimo exemplo é a curva 130R de Suzuka, tradicionalmente um dos maiores desafios da Fórmula 1. Hoje, ela é feita em velocidades bem inferiores às de temporadas recentes, o que frustra pilotos e fãs que valorizam o limite técnico dos pilotos e das máquinas.
Max Verstappen é um dos críticos mais contundentes. Nos bastidores, já se comenta que o holandês pretende usar a pausa no calendário, provocada pelo cancelamento das etapas do Bahrein e da Arábia Saudita para refletir sobre seu futuro na categoria.