
Benavides em ação em meio aos pedregulhos (Foto/Reprodução)
Após duas semanas e cerca de 8 mil quilômetros de competição em diferentes tipos de terreno e condições extremas, como trechos de areia fofa, dunas gigantescas, pedras que destruíam pneus e as montanhas da Arábia Saudita, o Dakar 2026 encerrou sua quadragésima oitava edição.
A categoria das motocicletas entrou para a história. Após Luciano Benavides, da Red Bull KTM, venceu a classificação geral das motos com o tempo de 49h00min41s. Ricky Brabec, da Monster Energy Honda, líder e favorito antes da última etapa, se complicou em um trecho decisivo e chegou apenas dois segundos atrás do argentino. Na linha de chegada, Benavides cruzou e parou em seguida.
Pouco depois, Brabec também completou o percurso, parou ao lado do rival e comentou, exausto: “Quase morri ali atrás, foi assustador.” Naquele momento, Benavides, igualmente muito cansado, ainda não imaginava que havia conquistado o título, devido à desvantagem que carregava antes da etapa derradeira. Alguns minutos depois, dois membros de sua equipe chegaram com a confirmação da vitória. Asim comemoração tomou conta do acampamento. Brabec, abatido e esgotado, mal conseguiu conter a frustração.
O americano havia se valido de uma estratégia considerada agressiva na décima primeira etapa, forçando o argentino a largar em primeiro na décima segunda. Para quem não acompanha de perto, sair na frente no Dakar não é uma vantagem: faltam referências de navegação no terreno à frente, tornando a navegação um fator crucial .
Essa diferença de apenas dois segundos, em um rally que dura quase duas semanas, com especiais extenuantes, longos deslocamentos e duas etapas maratona — nas quais muitos pilotos foram obrigados a dormir no deserto —, é algo praticamente sem precedentes e talvez impossível de se repetir.
O hiato mínimo foi o resultado de escolhas milimétricas: uma postura menos agressiva no final, a decisão de não arriscar e evitar erros. São atitudes que mantêm o controle, mas custam tempo - aquele momento em que o juízo pesa e diz que não vale a pena arriscar treze dias de sofrimento e perder tudo no último dia.
O terceiro lugar do pódio ficou com Tosha Schareina, também da Monster Energy Honda, confirmando o domínio das equipes de fábrica no topo da tabela. A KTM, por sua vez, segue como a marca mais vitoriosa da prova mais difícil do planeta, agora com 21 triunfos.
Na categoria dos automóveis, Nasser Al-Attiyah conquistou sua sexta vitória no Dakar, superando outros nomes lendários da história da competição. Príncipe do Catar, Al-Attiyah também é medalhista olímpico no tiro esportivo.
Nani Roma, campeão do Dakar nas motos no passado, garantiu o segundo lugar com a Ford Raptor T1, enquanto Mattias Ekström completou o pódio, também com outra Raptor T1. A Ford chegou forte nesta edição, montando uma equipe extremamente competitiva. A Toyota também mostrou desempenho consistente e brilhou em momentos decisivos.
A lenda dos Rallys de velocidade, Sébastien Loeb, terminou em quarto com um Dacia. Já o brasileiro Lucas Moraes, campeão mundial de Rally Raid em 2025, finalizou em sétimo lugar na geral, também pilotando um Dacia.