
Kimi Antonelli come espaguete no troféu para celebrar a vitória em Monza (Foto/Divulgação)
Exatamente 60 anos se passaram desde a última vitória de um piloto italiano no GP da Itália. A última vitória de um italiano no santuário de Monza havia acontecido em 1966, com Ludovico Scarfiotti. Kimi Antonelli encerrou esse jejum no domingo passado.
A grande diferença para os italianos é que Scarfiotti pilotava uma Ferrari. Afinal, os italianos torcem para a Ferrari, e não necessariamente para os pilotos.
Kimi Antonelli foi a grande sensação do fim de semana do GP italiano, vencendo a etapa após largar da 19ª posição. A enorme torcida, que esperava ovacionar os carros da amada Ferrari ao final da corrida, acabou se rendendo à façanha do jovem compatriota.
A etapa de Monza começou de uma forma incomum. Pierre Gasly conquistou a pole position pilotando sua Alpine. Uma senhora zebra. Russell se classificou em segundo, enquanto Piastri fez o terceiro tempo. Porém, sofreu uma punição e largaria apenas na sexta posição. Leclerc e Lewis Hamilton fecharam a segunda fila. Max Verstappen completou os cinco primeiros.
No domingo, as coisas também começaram meio fora do normal. Os pilotos foram obrigados a realizar duas voltas de formação. Dada a largada, Gasly manteve a liderança, escoltado por Russell.
Leclerc e Lewis se estranharam na segunda perna da primeira variante. Hamilton saiu do traçado e retornou em décimo, reclamando do companheiro de equipe: “Charles me jogou para fora”.
Ao final da segunda volta, Leclerc perdeu a traseira, tentou corrigir e foi de encontro às barreiras da temida Parabólica, para tristeza da enorme torcida vermelha. Uma senhora pancada. Aliás, a segunda dele nessa curva. A primeira havia acontecido na prova de 2020.
Logo foi acionado o Safety Car e, na sequência, a bandeira vermelha, ou seja, a paralisação da prova.
Nesse pequeno período de corrida, Kimi já havia avançado para a 12ª posição. Na segunda largada, partiu desse posto e começou a superar os carros das equipes médias.
Na frente, Russell logo ultrapassou Gasly. Verstappen também não demorou para superar o francês da Alpine. A liderança mudava constantemente. Verstappen ultrapassou Russell na volta 12 para assumir a ponta, mas o britânico deu o troco na volta 15.
Livre do tráfego, Antonelli foi engolindo os adversários. Assumiu a vice-liderança na volta 16 e tomou a ponta da corrida na volta 18.
Russell e Kimi travaram boas disputas, enquanto Max comboiava os dois, sempre à espreita. Até que veio uma ordem da Mercedes: parar com a troca de posições e abrir distância em relação a Verstappen.
A paz parecia reinar até que o Safety Car Virtual foi acionado pelo abandono de Lance Stroll, o 39º de sua carreira na Fórmula 1.
Kimi e Max foram chamados aos boxes e saíram de lá bem calçados. Russell, Hamilton e a dupla da McLaren optaram por permanecer na pista. Vale lembrar que são as equipes que determinam a estratégia de seus pilotos.
Com pneus em melhores condições, Kimi e Max imprimiram um ritmo superior ao dos concorrentes. Nas voltas finais, Kimi já estava no encalço do companheiro de equipe, que resistia bravamente com pneus colocados ainda no período da bandeira vermelha.
O italianinho chegou a sair do traçado, sujando seus pneus. Porém, não demorou muito para alcançar o inglês. Na volta 50, Kimi ultrapassou o companheiro em uma bela manobra. Logo abriu um segundo de vantagem e não foi mais ameaçado por Russell.
Max não tinha carro para dar combate pelo segundo posto. Ao final, Kimi venceu com quase quatro segundos de vantagem sobre Russell.
Max fechou o pódio, longe de Russell. Norris terminou em quarto, seguido por Piastri. Lewis Hamilton foi o sexto, para tristeza dos tifosi. A essa altura, porém, eles já haviam esquecido o fiasco da Ferrari e comemoravam a vitória histórica de um italianinho de apenas 20 anos.
O feito de Kimi Antonelli provocou uma situação rara. A fanática e implacável imprensa italiana destacou, na primeira página, a vitória do jovem patriota, deixando a amada Ferrari em um breve e raro momento de paz.
É certo que, durante a semana, a mídia macarrônica voltará com tudo nas cobranças por melhores resultados da Ferrari.
Bortoleto
Bortoleto largou razoavelmente bem na primeira largada, mas teve uma péssima segunda largada. Situação que se tornou normal esse ano na Audi. Ao final, terminou na 11ª posição.
A Audi sinalizou que pretende protestar o resultado da etapa por causa da situação envolvendo Tsunoda, que ocasionou a segunda volta de formação.
Pela regra, o piloto japonês deveria ter largado dos boxes por não ter posicionado corretamente seu carro no grid de largada, provocando a necessidade de uma segunda volta de formação.