SEMANA DO GÁS

Gás natural pode ficar mais de 50% mais barato para a indústria

Marconi Lima
Marconi Lima
Publicado em 19/09/2026 às 10:58
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Gás da União pode ficar mais barato mais de 50%, mas acesso à infraestrutura ainda limita oferta, aponta MBC e Pezco (Foto/Divulgação)

Gás da União pode ficar mais barato mais de 50%, mas acesso à infraestrutura ainda limita oferta, aponta MBC e Pezco (Foto/Divulgação)

Redução
O gás da União pode chegar à indústria por cerca de US$5/MMBtu, ante aproximadamente US$12 atualmente, uma redução superior a 50%, estimada pelo Ministério de Minas e Energia (MME). 

Gasodutos
O potencial, porém, depende da abertura do acesso aos gasodutos de escoamento e às unidades de processamento: a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) projeta redução de até 80% nos custos de acesso ao escoamento e processamento.

Boletim
Os dados integram a 2ª edição do Boletim Técnico, produzido pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC) e pela Pezco Economics para o Observatório do Gás Natural, que acompanha os principais movimentos do setor entre maio e agosto. 

MBC
O Movimento Brasil Competitivo (MBC) é uma organização empresarial, suprapartidária, que ajuda o Brasil a ser mais competitivo. Sua atuação combina advocacy qualificado, construção de consenso público-privado e projetos concretos, com independência técnica e visão sistêmica.

Crescimento
Em 2025, a produção bruta de gás natural cresceu 16,7%, para 65,42 bilhões de metros cúbicos ao ano, enquanto a oferta interna avançou 8,3%, para 34,56 bilhões de m³/ano. A reinjeção aumentou 16,9%, para 35,59 bilhões de m³, mantendo a relação entre reinjeção e produção próxima de 54%. No mesmo período, as importações recuaram 13,6%, para 6,97 bilhões de metros cúbicos. 

Barreira
A capacidade de processamento cresceu 11,1%, para 121,86 milhões de m³/dia, enquanto o volume de gás processado avançou 22%, para 61,29 milhões de m³/dia. Na discussão sobre o gas release, porém, 70% dos agentes consultados apontaram o acesso às instalações essenciais como a principal barreira à abertura do mercado. 

Desafio
Para o conselheiro executivo do MBC, Rogério Caiuby, o desafio agora é fazer com que os avanços regulatórios produzam efeitos concretos para quem compra gás. Para ele, a abertura do mercado precisa ser acompanhada de condições de acesso que permitam a entrada de novos agentes, maior previsibilidade para os contratos e decisões de investimento.

Lei
Cinco anos após a Nova Lei do Gás, a ANP publicou a Resolução 1.003/2026, primeira norma de acesso de terceiros às infraestruturas essenciais. A regulamentação estabelece regras para o acesso a terminais de GNL. Na sequência, a agência abriu consulta pública sobre o acesso a gasodutos de escoamento do pré-sal e Unidades de Processamento de Gás Natural (UPGNs).

Reestruturação
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) também reestruturou a política de comercialização do gás da União e autorizou a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) a realizar leilões de curto e longo prazo. Os leilões de curto prazo estão previstos para ocorrer entre 2026 e 2030, enquanto a comercialização de longo prazo começará a partir de 2030. 

Política
A nova política também prevê venda direta ao mercado livre e prioridade para consumidores dos segmentos químico, petroquímico, de fertilizantes e siderúrgico. 

Mudanças
Segundo o MME, as mudanças podem contribuir para reduzir o preço do gás da União de cerca de US$12 para US$5/MMBtu. A estimativa é específica para o gás da União e não representa uma projeção de preço para todo o mercado brasileiro. 

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