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Copinha sem craques

Como é triste! Ela mal começou e já dá para concluir: a Copa São Paulo de Futebol Junior perdeu o encanto.

Ismael de Oliveira
Publicado em 03/08/2018 às 10:18Atualizado em 17/12/2022 às 04:26
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Como é triste! Ela mal começou e já dá para concluir: a Copa São Paulo de Futebol Junior perdeu o encanto. Aquele que já foi o vestibular da bola em seus primórdios, nos anos 70, não passa hoje de uma competição inchada de 88 times.   Um mostrengo de fazer inveja ao almirante Heleno Antunes, que em 1979 organizou, à frente da CBF, um Brasileirão de 94 clubes, de péssimas lembranças e com públicos e rendas pífios.   Pode parecer prematuro condenar um torneio que ainda está em sua primeira fase, mas não é. Dificilmente, esta edição da Copinha entrará para a história como reveladora de craques ao nível de Falcão, Raí, Djalminha, Wladimir, Casagrande, Edinho, Fred, Guilherme e tantos outros, que tiveram o evento como uma verdadeira vitrine. E a razão é simples: os garotos bons de bola, de 19 anos – a idade limite –, ou estão servindo à Seleção Brasileira Sub-20, que começa a disputa do Sul-Americano, no Paraguai, ou estão integrados aos elencos profissionais dos seus clubes, todos em plena preparação para a disputa dos estaduais. Ou seja, quem está disputando a Copa é um bando de juvenis, de qualidade mais do que discutível, tentando, a todo custo, evitar que sejam mandados embora dos clubes, por ruindade.   A angústia dos garotos só não é maior do que a dos empresários que tomaram conta da competição. Pela tradição de quarenta anos do torneio, os atravessadores ainda enxergam na Copinha a grande, para não dizer a última, oportunidade de fazer negócios com os candidatos a boleiros.   Afinal, os intermediários gastaram os tubos com meninos imberbes, mal saídos das fraldas, para mantê-los sob contratos, justamente para que pudessem ter um retorno financeiro na faixa etária do evento.   Logo, o Campeonato beira mais a um feirão, e os poucos meninos que se destacam não passam de xepa. Exagero? Que nada! Quer ver? Com a redução da faixa etária mínima para 15 anos, o atleta como Phillippe Coutinho, jovem esperança do Vasco da Gama, poderia ser atração no torneio. Mas o moleque, que já esteve na mira do Real Madrid, foi convocado pelo técnico Dorival Junior para treinar com o elenco principal e não desfilará pelos campos esburacados do torneio.   Alexandre Pato também foi outro que não precisou da vitrine para, aos 17 anos de idade, ir para o Milan, da Itália, quase sem escala pelos profissionais do Internacional. Isso sem falar dos laterais Rafael e Fábio, que também aos 17 anos trocaram o Fluminense pelo Manchester United. Ambos foram impedidos de disputar a Copa São Paulo. Preferiram a Premier League. Moral da história: a Copa São Paulo há muito tempo não revela nem projeta um jogador que presta. Nem mesmo o campeão do torneio tem essa capacidade. É só conferir quem vingou no Figueirense e Rio Branco/SP, finalistas da edição passada. O Figueira poderia ter cedido jovens talentos para a equipe principal. Se forneceu, não a ajudou em nada. Como todos sabem, o time catarinense foi um dos quatro rebaixados para a Segunda Divisão do Brasileirão. É, de fato, uma Copinha sem graça.   (*) Secretário da Liga Uberabense de Futebol, Radialista e comentarista esportivo  

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