ARTICULISTAS

Costumes x Inclusão

Adriano Leal
Publicado em 23/11/2022 às 18:23Atualizado em 15/12/2022 às 23:03
Compartilhar

Escrevo este artigo em ritmo de Copa do Mundo. Acredito também que centenas de outros uberabenses também já estão no clima de Copa. É só olhar para os prédios e ver a enorme quantidade de Bandeiras nas janelas e varandas. No clima, farei um paralelo usando um bordão conhecido na TV brasileira: – Tin “Galvão, vai Mudar”; – diga Tin “Sai Pauta de Costumes entra pauta de Inclusão”; – Galvã “Sim, já era uma mudança esperada pela torcida brasileira”, diria o icônico narrador brasileiro, que decidiu aposentar as chuteiras no Catar.

O resultado incontestável das eleições no Brasil em 29/11 é o marco temporal da retomada das pautas de inclusão. Não é razoável em qualquer democracia que se preze assistir passivamente à crescente onda de fome em que 35 milhões de brasileiros estão abaixo da linha da pobreza – nesse contexto, algo em torno de 15 mil uberabenses. Não é aceitável também, da mesma forma, assistir passivamente ao aumento de crimes de violência contra a mulher e de crimes de racismo, xenofobia e intolerância, por outro lado legitimados e amparados por uma pauta de costumes em sua maioria ultrapassados no contexto global.

Ultrapassados nos protestos da população feminina tanto no Irã quanto pelas mães das favelas do Brasil. Se o leitor tem dúvida, é só olhar a grande quantidade de países que adotarão o arco íris na faixa de seus capitães na Copa do Mundo. Ou alguém ainda acha que os crimes cometidos em defesa da honra e da tradição são toleráveis? Sim, porque enquanto os crimes contra as mulheres são praticados em defesa da honra em sua grande maioria, os crimes praticados contra negros, LGBTS, nordestinos e outras minorias são defendidos em nome da “tradição” e que hoje são combatidos por “mimimi” de alguns, como dizem os mais fanáticos.

O impeachment democrático do atual governo através do sufrágio universal de 125 milhões de brasileiros, aproximadamente, que compareceram às urnas nos mostrou que a maioria simples do povo desta Nação preferiu uma terceira chance a Luiz Inácio Lula da Silva ante um segundo desastre da dupla Bolsonaro/Guedes. E uma das principais causas da vitória de Lula é, sem dúvida, o pertencimento de exclusão das camadas vulneráveis e menos favorecidas daquilo que chamamos de “sociedade”, que explicitamente defendeu que a inclusão de anos atrás foi ruim para o país, a ponto de se defender que o acesso ao Ensino Superior seria um privilégio de alguns, assim como o direito à vida nas periferias, uma defesa de outros alguns.

Os números de inscritos no Enem, o número de empregos formais, os números da inflação, os números de falta de assistência médica e, principalmente, os números do caixa do supermercado e do posto de gasolina são a referência que os excluídos e necessitados pautaram para decidir o voto e mostrar que querem novamente voltar a frequentar os aeroportos, o supermercado, as universidades, os empreendimentos habitacionais e imobiliários e fazer valer tantos outros direitos constitucionais, em especial aqueles previstos no artigo 5º da Constituição Federal.

Essa mesma maioria respeita a propriedade privada e o direito à informação, mas repudia a concentração da propriedade e as famosas fake news. A retomada dos Ministérios da Cultura, da Mulher, da Igualdade Racial, dos direitos humanos, dos Esportes, somado ao novo Ministério dos povos originários e um novo modelo de política nos ministérios da Educação e da Cidadania é como a chegada de volta da Fênix da Esperança, expulsa das terras tupiniquins, na última década, por uma parte da sociedade, que trazia consigo, adormecidos, os sentimentos de ódio, separação, defesa de privilégios e um falso moralismo, que na maioria das vezes não é praticado em casa e levou a várias brigas em grupos de WhattsApp com familiares e “amigos” de décadas. Inclusão é a palavra de ordem, ainda que o fantasma do “Mercado”, que nunca foi inclusivo, relute em ouvi-la.

Enquanto terminava o artigo, o Enem divulgava o tema da Redação 2022: “Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil”. Será que alguém defendeu a exclusão desses povos na prova em nome do progresso, do desmatamento e aumento da produção e renda?

Adriano Leal

Advogado, consultor, membro do coletivo jurídico Prerrogativas

Assuntos Relacionados
Compartilhar

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por