Quero esclarecer que tenho o maior respeito e apreço aos médicos que conheço e conheci, alguns estão no outro plano espiritual, outros não clinicam mais; daí a minha eterna gratidão a todos esses profissionais, inclusive àqueles que cuidam dos meus pais. Não poderia deixar de citar que tenho três irmãs médicas, dois irmãos, dois cunhados, três sobrinhas, um tio e dois primos. Trata-se de um número considerável neste segmento. Aliás, alguns amigos e conhecidos alegam que sou ovelha negra da família, no sentido de ser advogado criminalista, fui caminhar em outra área pouco recomendada. Quando escuto essa balela – brincadeira –, respondo que, quando estiver diante de um problema jurídico, seja em qualquer área, peço para que procure o seu médico de preferência para massagear sua próstata pela via anal. O silêncio, neste momento, é sepulcral. Sabemos da dificuldade de fazer um curso de medicina, é no mínimo 20 anos de estudo para tornar-se um especialista; caso queira prosseguir num mestrado ou doutorado, o tempo é de mais ou menos 25 anos de estudo, fazendo o somatório total. Todavia, o que me preocupa, também à população como um todo, é o índice de reprovação dos egressos dos cursos de medicina junto ao Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo). Vale dizer que o aluno, quando sai da faculdade, não é obrigado a fazer a referida prova; já os egressos dos cursos de direito, caso queiram advogar, têm que fazer a tão temida prova da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), isso acontece desde 1994, portanto há vinte anos. Basta ver a cada exame da OAB, e são três por ano, o baixíssimo índice de aprovação; beira a casa dos 10/18%, numa previsão otimista. Pois bem, está se criando uma cultura no estado bandeirante, inclusive, pasmem, por parte dos próprios alunos em fazer a prova de forma espontânea, ou como forma de enriquecer o seu currículo ao argumento de que foi aprovado tão logo que deixou a faculdade. Parabenizo, de forma solene, esses estudantes que têm essa iniciativa. Todavia, com relação ao último exame do Cremesp, o índice de reprovação bateu a casa dos 62%; isso é muito preocupante. A reprovação dos egressos das escolas particulares foi de 71%, e das públicas, 34%. A prova consiste numa avaliação de 120 questões de múltipla escolha, onde, para ser aprovado, tem que se atingir 60% de acerto. Vale dizer que não tem segunda fase, como ocorre na OAB, imagine, caro leitor, num cenário de 60% de reprovação, se tivesse uma segunda fase, qual seria o índice de aprovação? Creio que iria beirar os 10/15%, como ocorre na OAB. Agora, diante de uma segunda fase – escrita –, tenho a plena convicção de que a caligrafia dos pupilos de Hipócrates seria bem mais palatável e compreensível para os simples mortais – povão. Dependendo da reação, na semana que vem vou escrever sobre o Revalida, outra avaliação aplicada pelos Conselhos de Medicina.