Caro amigo leitor, ando cansado, muito cansado. Não sei se vou dar conta de morrer advogando, vou ter que largar a profissão bem antes e dar um jeito de fazer outra coisa. Talvez vender queijos com meu irmão Serginho lá na praça do Mercadão Municipal. Aliás, pouca gente sabe, tenho o maior orgulho de ter vendido queijos e doces naquela loja por mais de 15 anos.
Verdade mesm tenho o maior orgulho de estar junto com meu pai naquela localidade; antes vendíamos queijos e leite lá na cidade de Igarapava – minha terra natal. Acho, pelo jeito que as coisas andam, que vou ter que fazer o caminho de volta. Caso isso ocorra farei com a maior dignidade e honradez. Pois bem, no dia de ontem, estava no Núcleo de Práticas Jurídicas da Uniube, onde leciono e trabalho. Por volta das 14h, um professor colega de trabalho – Dr. Eduardo Jardim – me pediu ajuda em favor de uma senhora que ali estava, com uma criança de colo – um bebê de 91 dias – era a avó da pequena Marcella.
Relatou que a mãe da pequena foi detida na noite de sexta para o sábado passado. Para se defender do marido, que já tinha amolado uma faca para tirar-lhe a vida, entrou em luta corporal com ele e conseguiu tomar a faca do agressor e o atingiu na perna. A própria esposa do valentão chamou a polícia e o Samu para prestar socorro; esperou a polícia no local, foi detida em flagrante delito e levada perante o delegado. Este arbitrou uma fiança, salvo engano, no valor de R$ 700,00 – setecentos reais – para que a mesma não fosse conduzida para o presídio local. A mãe da menor não tinha e não tem o tal dinheiro – preta e pobre.
Fui falar com o promotor de Justiça que me atendeu prontamente e deu seu parecer pela soltura da genitora, em menos de 10 minutos, inclusive, recomendando para a servidora falar diretamente com os servidores da secretaria para tratar o caso de forma urgente. Daí, começou o meu martírio. Olhe e observe que não sou advogado da mãe da menor recolhida, estava atendendo ao chamamento do meu amigo Dr. Eduardo Jardim e da avó da menor.
Observei que o andamento dos autos empacou, ou seja, disseram que estava no gabinete de autoridade judiciária, mas diligenciei pessoalmente e pude observar que o mesmo estava trancado. Fui ao diretor do foro – Dr. Fabiano Rubinger, que me atendeu de imediato, pedindo 5 minutos para dar uma resposta. Voltou no prazo dito e disse que estava tudo sendo encaminhado, ou seja, a ilustre autoridade iria despachar. Pouco tempo depois, surgiu um servidor que abriu o gabinete e entrou.
Neste momento, eu, aflito, juntamente com Dra. Isadora Cosci, não tínhamos a menor ideia do que poderia ocorrer. Não contive, fui até o gabinete, o servidor disse que era para esperar um pouco mais. Esperei. Voltou e disse que levaria o alvará de soltura para ser assinado pela douta autoridade judiciária, que não estava no fórum, estava numa reunião; onde eu não sei! Às 19h47, liguei para a servidora Alessandra, como sempre me atendeu na maior lisura e delicadeza, e disse que o alvará já estava em poder da oficiala de Justiça. Liguei para a oficiala Marilda por volta das 19h50, também, da mesma forma, na maior urbanidade disse que já tinha levado o alvará para a delegacia, esperando o retorno da consulta para ir até o presídio.
Daqui pra frente, outro martírio, só DEUS sabe o que vai acontecer com mãe da pequena Marcella que está desde sexta pra sábado sem amamentar. Se a mãe da menor fosse rica e poderosa, talvez, na madrugada de sábado – na delegacia - tudo estaria resolvido. Pai nosso, olhai por nós. Triste país de pobres e desgraçados. Não sei se vou aguentar!