Dona Tuta era uma senhora simpática que trabalhava, com vigor, na casa dos tios...
Dona Tuta era uma senhora simpática que trabalhava, com vigor, na casa dos tios e primos residentes lá no Pontal do Triângulo Mineiro, próximo ao vilarejo de Perdilândia, em uma fazenda localizada na beirada do Rio Paranaíba, logo no início da década de 80. Tinha lá meus 7 anos de idade quando, assim que declaradas as férias de julho, partia ansioso para encontrá-los, aproveitar aquilo que de melhor a natureza tinha para oferecer e saborear as guloseimas feitas por Dona Tuta na cozinha.
Naquele período de inverno, acordava no frio da madrugada para acompanhar o trabalho dos funcionários, que, vaca por vaca, enchiam os baldes de leite e os lançava nos latões em perfeita ordem e disciplina. Na hora certa, lá de longe, o caminhão leiteiro aparecia, e lá chegando recolhia os galões cheios para levá-los ao laticínio mais próximo.
Antes de ele sair, reservava para Dona Tuta um pequeno galão, com aproximadamente 10 litros de leite, suficientes para fabricação do queijo, manteiga, bolo, tortas, pudins e outras gulodices. Chegando à cozinha, dela já recebia a pequena ordem: traga o arroz, o feijão, o milho, as verduras e a carne para o almoço.
Com o par de botinas nos pés, acompanhava o trabalho nas hortas e nos armazéns. Era o natural. Retirava a carne resguardada nos latões de banha de porco e logo levava tudo para as mãos da amada cozinheira, que me aguardava ao som dos estalos da lenha.
Almoço como aquele, passaram-se décadas, não conheci outro igual. Para arrematar com “medalha de ouro”, no final da tarde, saboreava o melhor de todos os lanches. A pamonha, a goiabada e o queijo fresco arrematavam aquilo que havia de melhor, com primor.
Hoje, quarenta anos depois, o tempo foi passando. Os supermercados serviram comidas. O leite em caixa, a margarina, as bolachas, a carne, bebidas, enfim, tudo aquilo quanto as mercadorias disponíveis.
Enfim, a Dona Tuta, décadas atrás, trazia aos familiares e amigos aquilo que havia de melhor e saudável para a nossa refeição, e hoje brigamos por refeições, na busca de alimentos saudáveis, e assim manter aquilo capaz de manter a ordem da saúde pessoal. É hora de rever aquilo que há de melhor na comida caseira e evitar aquelas produzidas pela indústria. Vale a pena insistir e mudar para aquilo que temos de melhor.