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Errantes

A vida é uma sequência de erros. Parece que nascemos para errar, embora guardemos a justa...

Ricardo Cavalcante Motta
Publicado em 19/11/2016 às 18:41Atualizado em 16/12/2022 às 16:32
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A vida é uma sequência de erros. Parece que nascemos para errar, embora guardemos a justa, porém inocente, vontade de não errar. Há quem tenha o delírio ou a ilusão de não errar nunca. Há os piores, que têm a ousadia e o atrevimento de dizer que nunca erraram, que não erram. Erramos sim, muito. Mas aprendemos mesmo é com o erro. Afinal, aqui estamos é para aprender. Ocorre que erramos sempre. Até em coisas corriqueiras, como no tom da voz, no volume do serviço, para dosar o sal ou o açúcar num cafezinho. Pior, no dia a dia erramos muito também em situações outras tão graves e importantes da vida. Erramos no orgulho, erramos na intolerância, na ansiedade... 

Por mais que imaginemos que possamos aprender só com o erro alheio, vemos que é ledo engano. Cada um carrega seu divino plano pessoal de existir. Cada um tem sua própria reação aos atos. Experiências particulares têm o peso real para o aprendiz. Passamos, na verdade, parte da vida editando os erros da imaturidade e o restante, tentando consertar esses erros e, não raro, errando novamente para, provavelmente, obter novas lições. Somos errantes aprendizes. Felizes dos que, pelo menos, aprendem com seus erros! Triste é ferir terceiros.

Quantas vezes nos olhamos lá dentro e nos questionamos por não ter visto algo tão evidente diante dos olhos, ou por ter procedido de tal forma. Sentimo-nos no auge da burrice. Vem a autocondenação por ter agido daquele modo estúpido, cuja consequência custa muito ao viver. Constrói-se assim, a duras penas, a experiência do viver. É o começo do aprender. Reconhecer o erro. Admitir a covardia, a fraqueza ou a ignorância molda a alma. Absorver que erra é o início do exercício da humildade. E humildemente pensamos melhor. A arrogância cega. Todavia, isso não significa que só erramos, acertamos também. É que aprendemos mesmo é com nosso erro. Ele é que nos obriga à humildade de parar, refletir, engolir seco, arrepender, começar de novo para evoluir e crescer.

É contundente, mas é isso, somos essencialmente errantes.

(*) Juiz de Direito

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