Associação trabalha com bocha, atletismo e basquete e busca fortalecer participação em competições nacionais
A Associação dos Deficientes Físicos de Uberaba (Adefu) busca ampliar a formação de atletas para fortalecer a presença da entidade em competições nacionais e internacionais. Segundo a presidente Ercileide Laurinda da Silva, a associação já possui atletas com potencial para integrar seleções brasileiras, principalmente nas modalidades de bocha paralímpica e atletismo.
A Adefu está presente no cenário internacional desde os Jogos Paralímpicos de Pequim, em 2008, e, desde então, teve atletas convocados para seleções nas modalidades de bocha paralímpica e atletismo. Para Ercileide, a trajetória acompanha o crescimento do paradesporto e passa pela formação de atletas desde as categorias de base até o alto rendimento.
Além da bocha e do atletismo, a entidade também trabalha com o basquete, atualmente com uma equipe na categoria de base. A presidente afirma que outros atletas da associação apresentam marcas que podem levá-los às seleções em futuras convocações.
O caminho até o alto rendimento começa com a chegada da pessoa com deficiência à Adefu. Segundo Ercileide, os profissionais avaliam o perfil e o biotipo do participante para indicar a modalidade mais adequada, entre atletismo, bocha e basquete. A partir daí, o atleta pode seguir um processo de desenvolvimento dentro da instituição.
Um dos principais obstáculos para avançar nesse processo é o custo. Ercileide aponta os recursos financeiros como a principal dificuldade para manter atletas em nível competitivo, especialmente diante das despesas com viagens e da necessidade de uma equipe multidisciplinar.
“Um atleta de alto nível não se faz apenas com treinamento”, afirma. Entre os profissionais necessários, ela cita médico, fisioterapeuta, psicólogo, nutricionista e preparador físico.
As bolsas recebidas pelos atletas são conquistadas individualmente e, segundo a presidente, a Adefu não interfere na escolha dos beneficiários. O critério informado é estar entre os três primeiros colocados nas respectivas modalidades. Os recursos podem ser utilizados pelos próprios atletas para despesas como equipamentos, competições, suplementação e cuidados com a saúde.
A manutenção das atividades também depende de parcerias. De acordo com Ercileide, a Fundação Municipal de Esporte e Lazer (Funel) disponibiliza transporte quando solicitado; a Secretaria Municipal de Educação cede professores de educação física; o Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos (CBCP) financia transporte e hospedagem em algumas competições por meio de editais; e o Centro de Referência auxilia com professores e materiais esportivos.
“Sem essas parcerias talvez nem teríamos atletas em nível de competição”, afirma.
Para os próximos anos, a Adefu pretende ampliar o espaço físico, buscar novas parcerias com universidades e aumentar o número de jovens atletas. A entidade também quer criar condições para oferecer mais qualidade de vida a pessoas que já se aposentaram do esporte.
Ercileide destaca ainda a necessidade de aproximação com as escolas que possuem alunos com deficiência. Segundo ela, a Adefu tem estrutura e professores para receber novos participantes, mas precisa ampliar o contato com potenciais atletas.
A presidente afirma que a meta continua sendo preparar os atletas para alcançar o alto rendimento, mas ressalta que o resultado depende de um trabalho conjunto entre atletas, profissionais, famílias e instituições parceiras.