ESPORTE

Após pior início entre os grandes, Cruzeiro tenta evitar vexame na Série B

Agência Estado
Publicado em 15/09/2020 às 23:32Atualizado em 18/12/2022 às 09:31
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Bruno Haddad/Cruzeiro

Ney Franco estreou com vitória e é esperança da diretoria para que o time embale na temporada

Atormentado por dívidas estimadas em R$982 milhões, prejudicado por punições recentes e atolado em uma crise que parece não ter fim, o Cruzeiro vive um drama e encontra muitas dificuldades para deslanchar na Série B do Campeonato Brasileiro, diferentemente do que aconteceu com a maioria dos clubes de expressão que foram rebaixados.

A má gestão, um dos fatores determinantes para a queda à segunda divisão nacional, também atrapalhou e fez com que a equipe começasse a competição com seis pontos negativos pelo não cumprimento da ordem de pagamento de 850 mil euros (R$5,4 milhões na cotação atual) referente à dívida com o Al Wahda, dos Emirados Árabes Unidos, pelo empréstimo do volante Denilson.

Vivendo a mais grave crise de sua história, o Cruzeiro passa por um drama sem precedentes em relação aos grandes que estiveram na Série B. Na história da competição desde 2006, ano em que ela passou a ser disputada por pontos corridos, nenhum dos principais clubes brasileiros se submeteu a uma situação semelhante à que se apresenta ao time mineiro. Apesar do triunfo na última semana sobre o Vitória, amarga a pior campanha de um clube de expressão até a nona rodada. Com apenas oito pontos, o Cruzeiro ocupa a 13ª posição.

O Atlético-MG, em 2006, o Vasco, em 2009 e 2014, e o Internacional, em 2017, também largaram mal. Ainda assim, todos obtiveram mais de 50% de aproveitamento até a nona rodada e somaram 14 pontos, seis a mais do que possui o Cruzeiro atualmente. A melhor campanha até esse estágio da competição foi do Corinthians, que conseguiu se manter invicto nesse período e somou 23 pontos, com aproveitamento de 85,2%. A equipe alvinegra também ostenta a maior pontuação da história do campeonato (85 pontos), à frente de Portuguesa de 2011 (81) e do Palmeiras de 2013 (79).

"O maior desafio de um time grande na Série B é reestruturar a casa. O primeiro passo é se organizar internamente. Depois, no campo, aos poucos, as coisas acontecem naturalmente", disse o ex-goleiro Bruno, que conseguiu acessos por Portuguesa, Palmeiras e Santa Cruz, um com cada time. Atualmente, ele é comentarista esportivo e treinador de goleiros nos Estados Unidos.

"A competitividade na Série B é maior. Os jogos são mais pegados e os campos não têm a mesma qualidade da Série A. Outro diferencial é que os jogadores se esforçam ainda mais para ter oportunidade em um clube na elite. É uma vitrine. O campeonato fica ainda mais disputado", reforçou o ex-jogador Wendel, que disputou a competição pelo Palmeiras, em 2013. Ele também fez parte do elenco campeão 10 anos antes.

O Cruzeiro até teve um bom início, com três vitórias seguidas em seus três primeiros jogos. Depois, porém, a equipe ficou cinco partidas sem vencer até que o técnico Ney Franco foi contratado para o lugar de Enderson Moreira e conseguiu reagir logo em sua estreia com o triunfo por 1 a 0 sobre o Vitória. Hoje tem oito pontos e ainda está mais perto da zona de rebaixamento do que do grupo de acesso. 

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