Atlético-MG apresentou à CNRD um plano coletivo para quitar mais de R$ 43 milhões em dívidas com atletas (Foto/IA)
O Atlético-MG apresentou uma proposta para organizar o pagamento de dívidas com jogadores, empresários e clubes brasileiros. O plano prevê prazo de até oito anos para a quitação dos débitos e foi encaminhado à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD).
O documento ainda precisa ser homologado para entrar em vigor. A proposta foi oficializada em 28 de abril de 2026 e assinada por dirigentes e advogados do clube.
O valor relacionado aos processos incluídos na lista de credores chega a R$ 43.386.723,82, considerando as dívidas pendentes e os honorários. Desse total, aproximadamente R$ 35 milhões pertencem à SAF, enquanto outros R$ 8 milhões são anteriores e estão ligados à Associação.
PAGAMENTO PODE CHEGAR A 96 MESES
A proposta do Atlético prevê o pagamento integral das dívidas, mas estabelece cronogramas individuais que podem chegar a 96 meses. As parcelas seriam mensais e começariam a partir da adesão de cada credor. O saldo devedor seria atualizado todos os meses pelo IPCA.
O clube também propõe um piso de amortização de R$ 4 milhões por semestre. Caso o total pago durante seis datas consecutivas fique abaixo desse valor, o Atlético deverá fazer um aporte complementar para atingir o mínimo estabelecido.
Outra medida apresentada determina a destinação de 5% dos valores líquidos recebidos pelo clube em premiações esportivas para o pagamento dos credores.
Os contratos de transmissão ficam fora desse cálculo. Os recursos adicionais previstos na proposta seriam divididos igualmente entre os credores que ainda apresentarem saldo a receber.
ATLÉTICO CITA DÍVIDA SUPERIOR A R$ 2 BILHÕES
Na justificativa apresentada à CNRD, a SAF cita uma dívida superior a R$ 2 bilhões herdada da Associação, além das dificuldades enfrentadas no fluxo de caixa.
O clube argumenta ainda que o modelo oferece tratamento igual aos credores e cria previsibilidade para os pagamentos.
Entre os argumentos apresentados, o Atlético menciona o risco de um possível transfer ban, punição que poderia reduzir sua capacidade competitiva e, consequentemente, afetar as receitas utilizadas para pagar as próprias dívidas.
Procurado, o Atlético informou que não comentará o conteúdo do plano enquanto não houver homologação pela CNRD.
CREDORES APRESENTAM OBJEÇÕES
A proposta não teve aprovação integral dos credores. Alguns deles apresentaram objeções a pontos relacionados à forma e aos prazos estabelecidos para os pagamentos.
O Atlético tem até o fim da semana para responder aos questionamentos e poderá realizar ajustes no modelo apresentado. Mesmo após apresentar o plano, o Atlético foi advertido publicamente pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF).
Com a decisão, o Atlético terá de comprovar a regularização da situação para evitar punições mais severas.