Por Ricardo Magatti
Fot Lucas Figueiredo CBF

Foi um jogo doido em Quito. Houve um gol com cinco minutos, duas expulsões, muitas interferências do VAR, que consertou erros do árbitro Wilmar Roldan
A Seleção Brasileira empatou por 1 a 1 com o Equador nesta quinta-feira em um jogo maluco, ruim tecnicamente, mas com vários elementos interessantes, com expulsões, arbitragem absolutamente confusa do colombiano Wilmar Roldan, quatro intervenções do VAR e dois pênaltis anulados. Alisson chegou a ser expulso duas vezes, mas em ambas as ocasiões o juiz reviu suas decisões e deixou o goleiro em campo. Casemiro marcou na etapa inicial para o time de Tite, e Félix Torres deixou tudo igual no segundo tempo da partida da 15ª rodada das Eliminatórias Sul-Americanas. Foi um jogo mais brigado do que bem jogado na altitude de Quito.
Foi um jogo doido em Quito. Houve um gol com cinco minutos, duas expulsões, muitas interferências do VAR, que consertou erros do árbitro Wilmar Roldan. Os protagonistas não foram os atletas, mas o juiz colombiano. Ele apresentou o vermelho a Domínguez, do Equador, e Emerson Royal, do Brasil, teve de rever a expulsão de Alisson duas vezes, além de dois pênaltis em favor dos equatorianos na etapa final. Foi impressionantes quatro vezes ao monitor retificar decisões erradas.
A seleção brasileira começou bem ao abrir o placar com Casemiro. Aos cinco minutos, Coutinho cruzou da esquerda, Matheus Cunha tentou o cabeceio e a bola sobrou para o volante empurrar para as redes. O cenário parecia perfeito assim que o goleiro Domínguez saiu mal do gol, acertou a cabeça de Matheus Cunha e foi expulso. Mas a sorte virou rápido.
O Brasil quase não jogou com um a mais porque Emerson Royal atingiu Estrada em dividida e recebeu o segundo amarelo. O lateral do Tottenham, que tenta se firmar na seleção, jogou fora uma chance de ouro e prejudicou Philippe Coutinho, sacrificado para a entrada de Daniel Alves. Sem o meio-campista do Aston Villa, a equipe ficou espaçada, dividida entre ataque e defesa. Poderia piorar, já que Alisson também havia levado o vermelho após acertar sem querer o rosto de Enner Valência. O árbitro reviu o lance no monitor e optou pelo amarelo ao goleiro brasileiro.
Com dez de cada lado, o jogo não fluiu. Toda a dinâmica foi alterada com as expulsões. Não houve alternativas táticas. A bola correu muito graças ao ar rarefeito e o que se viu foi uma sucessão de lançamentos e cruzamentos para a área sem êxito dos donos da casa, além de um número elevado de faltas e muita disputa no meio de campo.
Tite, que admite costumeiramente que o time precisa carece de criatividade em alguns momentos, viu sua equipe se defender bem, mas não conseguir encaixar contragolpes. Sem Coutinho, faltou alguém para armar o jogo. O jeito foi se segurar das investidas dos equatorianos, o que a seleção brasileira fez com competência na primeira etapa. Matheus Cunha foi o único a tentar algo na frente. O atacante do Atlético de Madrid levou perigo em arremate de fora da área nos acréscimos. Vinicius Junior correu muito também, mas pouco criou. Raphinha esteve apagado. O protagonista, no fim, acabou sendo o árbitro Wilmar Roldan.
O panorama da segunda etapa foi semelhante ao da primeira. O jogo continuou confuso. Não foi uma apresentação tecnicamente interessante, mas também não foi um duelo moroso. As seleções foram intensas e o Equador, sobretudo, não parou, à sua maneira, de buscar o gol. Conseguiu um pênalti com Estupiñán, mas o árbitro viu no monitor que o equatoriano se atirou e retirou a penalidade. O gol dos anfitriões, no entanto, saiu. Foi marcado de cabeça e fruto da insistência, mas também da sonolência do Brasil. Félix Torres subiu mais alto que Casemiro e mandou para as redes aos 29 minutos. Nos acréscimos, mais um pênalti que Roldan marcou e teve de voltar atrás após assistir ao lance na cabine. Alisson, mais uma vez, chegou a receber o vermelho. E de novo permaneceu em campo assim que o juiz mudou sua decisão. Foi uma noite infeliz do apitador.
Líder isolado das Eliminatórias com 36 pontos e garantido desde o ano passado na Copa do Catar, o Brasil tem como próximo compromisso o duelo com o Paraguai, terça-feira, às 21h30, no Mineirão. No mesmo dia, o Equador duela com o Peru, em Lima. Os equatorianos somam 24 pontos, no terceiro lugar, e estão perto de garantir um lugar no Mundial, muito vaiado pelos torcedores depois do apito final.
EQUADOR - Alexander Domínguez; Ángelo Preciado (Romario Caicedo), Félix Torres, Piero Hincapié, Pervis Estupiñán; Carlos Gruezo (Ayrton Preciado), Alan Franco (Galíndez), Moisés Caicedo (Jhegson Méndez); Plata, Enner Valencia e Michael Estrada (Carcelén). Técnic Gustavo Alfaro.
BRASIL - Alisson; Emerson Royal, Éder Militão, Thiago Silva e Alex Sandro; Casemiro, Fred, Philippe Coutinho (Daniel Alves); Raphinha (Antony), Matheus Cunha (Gabriel) e Vinicius Junior (Gabriel Jesus). Técnic Tite.
ARGENTINA, GANHA E DEIXA O CHILE BEM DISTANTE DA COPA
A Argentina continua imbatível e deu mais uma demonstração da boa fase, nesta quinta-feira, ao somar o 28° jogo de invencibilidade. Diante de um desesperado Chile, a tranquilidade e melhor qualidade foram fundamentais na vitória por 2 a 1 da seleção de Messi, poupado em Calama. O resultado deixa os chilenos em situação desesperadora nas Eliminatórias e bem perto de perder a segunda Copa do Mundo seguida.
Os chilenos precisarão de um milagre para estarem no Catar no fim do ano. Após novo tropeço, necessitam de série perfeita em visitas à altitude da Bolívia e ao invicto Brasil e no encerramento das Eliminatórias contra o Uruguai, em casa. Fora da Rússia em 2018, a seleção repete campanha decepcionante, carente de uma renovação.
Já a Argentina, classificada com quatro rodadas de antecedência, deu mais um passo para quebrar sua maior série invicta da história. Foram 31 jogos sem derrota entre 1991 e 1993, sob o comando de Alfio 'Coco' Basile. Com o triunfo desta quinta, agora soma 28 jogos de invencibilidade.
O último revés foi na semifinal da Copa América de 2019, diante do Brasil, no Mineirão, dia 2 de julho de 2019. Na oportunidade, levou 2 a 0 com gols de Gabriel Jesus e Roberto Firmino.
ELIMINATÓRIAS DO CATAR
Equador 1 x 1 Brasil
Paraguai 0 x 1 Uruguai
Chile1 x 2 Argentina
JOGOS DE HOJE
HOJE - 18:00 Colômbia x Peru
HOJE - 19:00 Venezuela x Bolívia
