O velho ditado de que “atacante vive de gol” já está mais do que batido. Mas se o jogador não corresponde à expectativa da torcida, alguém sempre faz questão de citá-lo novamente. O avante Cadu estava em uma situação complicada, difícil.
A paciência com o Cadu por parte da torcida e também da imprensa esportiva de Uberaba parecia estar se esgotando. Em vários programas esportivos da Rádio JM 630/kHz, o pedido de ambas as partes para o jogador deixar o USC era constante.
Nos treinamentos, quando Cadu não conseguia efetuar uma jogada com êxito, as vaias e o descontentamento da torcida foram muitas vezes presenciados pela Equipe Pé Quente.
Talvez seja cedo afirmar que o atacante, de 29 anos, deu a volta por cima. Mas é fato que o jogador marcou dois gols importantes nos últimos dois jogos do Colorado.
O tento anotado contra o Guarani deu a vitória fora de casa, após o USC perder para o América, de Teófilo Otoni, por 5 x 3, no estádio Uberabão. Já na partida contra o Santa Helena, pela Copa do Brasil, o belo gol de fora da área valeu ainda mais.
Além de financeiramente ser festejado pela diretoria alvirrubra, o gol eliminou o jogo de volta e, de quebra, 60% da renda líquida deste compromisso foi repassada para os atletas, como uma premiação pela classificação antecipada. “No lance do gol contra o Santa Helena, eu poderia ter tabelado com o Gabriel, mas optei pelo chute. É a percepção do atacante. A defesa deles estava bem posicionada, era difícil penetrar. Fui feliz na tentativa do arremate e acertei uma bela finalização”, contou.
Antes de voltar a marcar, muitos obstáculos foram superados. O primeiro deles e talvez o mais importante foi à parte clínica. A apresentação do jogador aconteceu apenas no início de janeiro. Isto significa que Cadu perdeu a primeira parte da pré-temporada. Com o início dos trabalhos físicos tardio, as contusões musculares que o atormentaram na final da Taça Minas Gerais foram inevitáveis. “Cheguei a chorar por causa das lesões. Mas o apoio da comissão técnica, dos diretores, dos familiares e amigos foi primordial para o meu retorno”, revelou Cadu, que foi pego de surpresa pelo repórter Paulo Borges ao final do jogo contra o Santa Helena, colocando o fone para o atacante escutar o gol narrado por Túlio Micheli, da Rádio JM/630 kHz, que o apelidou de Artilheiro dos Milagres.
No meio da narração, Cadu mais uma vez não conteve as lágrimas. “Fico feliz com o momento. É muito emocionante. Quem esteve lado a lado comigo sofreu muito e sabe como é difícil se recuperar de uma lesão”, desabafou o atacante, que em vários momentos manteve o silêncio para evitar ainda mais as lágrimas.