O Cruzeiro vive a pior crise de sua história — financeira e institucional — e se aproxima de uma dívida de R$ 1 bilhão. Com um cenário totalmente incerto do ponto de vista econômico e com permanência quase garantida pelo terceiro ano seguido na Série B do Campeonato Brasileiro, o clube se apega à Sociedade Anônima do Futebol (SAF) - o conceito popularizado como clube-empresa - para tentar se salvar. O cenário não é exclusivo, é parecido com o vivido por outros grandes brasileiros. O Vasco é outro exemplo, vendo sua dívida crescer e ultrapassar os R$ 800 milhões. No Cruzeiro, tanto desespero e expectativa por um futuro melhor fez com que os torcedores se animassem muito com o que na verdade era um boat o de que o xeque milionário saudita Mohammed bin Salman, o mesmo que comprou o Newcastle (ING), também compraria a Raposa.
Ainda sem registrar sua SAF, o Cruzeiro, pelo menos por enquanto, não teria condição de ser vendido para nenhum grupo, nacional ou internacional. O clube, que de acordo com o seu estatuto atual permite que 49% de suas futuras ações sejam disponibilizadas a investidores, ainda é uma associação sem fins lucrativos.
Problema comum a mais clubes
Grandes clubes brasileiros passam por situações calamitosas do ponto de vista financeiro e depositam no clube-empresa como salvação. Vasco e Botafogo, por exemplo, além do Cruzeiro, são duas dessas agremiações. Nem mesmo o peso dessas camisas no futebol nacional foi suficiente para segura-los na Primeira Divisão. Ou de fazê-los superar grandes problemas econômicos, ainda mais afetados por causa da pandemia da covid-19 — que afetou as receitas das equipes.
Um dos grandes interessados no projeto de SAF, o Botafogo sabe que nem só a implementação do clube-empresa será a salvação dos clubes que passam por problemas como o do próprio Glorioso, que tem dívidas também na casa de R$ 1 bilhão. "Sem dúvida, a partir do momento que uma estrutura de S/A entra em vigor, essa transparência e os controles vêm juntos com a lei, mas isso também pode ser feito apesar disso", esclarece Jorge Braga, CEO que trabalha para minimizar a dívida do Alvinegro Carioca.
Virar empresa é salvação para quem?
Alguns clubes da Série A passaram a ganhar mais espaço no noticiário esportivo por seus resultados esportivos e por despertarem a curiosidade do mercado em relação ao seu modelo de gestão. Um desses, sem dúvidas, é o Fortaleza. Atual segundo colocado do Brasileirão, o Leão do Pici tem uma folha salarial bem modesta para os padrões da Primeira Divisã algo em torno de R$ 3,3 milhões. O montante é muito menor do que clubes de maior expressão, como o próprio Atlético-MG [algo em torno de R$ 13 milhões], do Flamengo [R$ 23 milhões aproximadamente] e Palmeiras [R$ 18 milhões], os outros clubes que completam o G4.
Dinheiro gringo mudando rumos no Brasil
O advogado especializado em direito desportivo, Eduardo Carlezzo, entende que os clubes que não fazem parte da elite do futebol, seja no contexto brasileiro ou fora do país, ficarão cada vez mais longe da briga por títulos importantes. Para Carlezzo, o que pode mudar essa dinâmica são os investimentos estrangeiros no futebol local. "O exemplo é o Bragantino. Em sã consciência conseguiria imaginar, em condições normais, o Bragantino disputando uma final da competição sul-americana? Não, né! Em pouco tempo o clube, com aporte da Red Bull, subiu para a Série A. Isso poderá se repetir com outras equipes, pois percebo que existe um movimento inicial de investidores estrangeiros, de alto calibre, olhando para clubes nacionais. Brevemente poderemos ter algumas surpresas neste contexto", comentou.
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