Por Daniel Batista e Raul Vitor
O futebol feminino do Brasil, enfim, está nas mãos das mulheres. Inicialmente, a afirmação pode parecer simples ou até óbvia, mas não era o que acontecia até pouco tempo atrás. Historicamente, o futebol feminino no País foi chefiado por homens e isso começou a mudar no ano passado, com a contratação da técnica Pia Sundhage para a seleção brasileira principal, com a chegada de Aline Pellegrino como coordenadora de competições femininas da CBF e ainda Duda Luizelli na coordenação de seleções femininas da entidade em setembro deste ano. É um passo gigantesco para a CBF.
Desde que Rogério Caboclo assumiu o comando da entidade, em abril de 2019, ele sofreu pressão para mudar o tratamento do futebol feminino no Brasil. Mesmo assim, bancou Oswaldo Alvarez, o Vadão, no comando do time nacional e colocou Marco Aurélio Cunha na função de coordenador das seleções. Os resultados foram ruins e isso abriu espaço para as mulheres, que já pediam passagem.
Além de Aline e Duda, a seleção tem outras mulheres na linha de frente. Os homens viraram minoria. Na seleção principal, Pia Sundhage é a técnica e tem como auxiliares Lilie Persson e Bia Vaz. Na seleção sub-20, Jéssica de Lima é assistente do treinador Jonas Urias. No time sub-17, a treinadora é Simone Jatobá, com o auxílio de Lindsay Camila e da preparadora de goleiras, Marlisa Wahlbrink.
Aline e Duda chegaram à seleção no começo do mês e ainda estão na fase de estudos da situação. Mas suas experiências como dirigentes da Federação Paulista e do Internacional, de Porto Alegre, respectivamente, facilitam na adaptação.
A diferença financeira, porém, ainda é um tabu, mas melhorou consideravelmente. A CBF decidiu igualar os valores de premiação e diárias entre as seleções masculinas e femininas. Na Olimpíada, ambos ganharão o mesmo valor. Na Copa, a quantia será proporcionalmente ao que a Fifa oferece.
Os currículos de Aline Pellegrino, Duda Luizelli e Pia Sundhage mostram que elas não estão em seus respectivos cargos por acaso. Aline trabalhou como diretora de futebol feminino na Federação Paulista de Futebol (FPF) desde 2016 e sempre foi citada como uma das melhores na função. Sua experiência se dá fora e dentro de campo. Ela foi capitã e medalhista de prata na Olimpíada de Atenas, em 2004, e ouro no Pan-Americano de 2007, no Rio. No total, foram nove anos defendendo a seleção.
Duda também teve sucesso na seleção antes de virar dirigente. Ela conquistou o bicampeonato Sul-Americano pelo Brasil. Em 2016 assumiu o cargo de gerente de futebol no Inter, onde fez uma grande reformulação.