A queda do Cruzeiro dentro de campo, com o rebaixamento à Série B do Campeonato Brasileiro em 2019, veio acompanhada por gravíssimos problemas financeiros. Sob nova realidade esportiva, o clube convive com uma equação difícil de ser resolvida, pois tem receita prevista de R$80 milhões para 2020, com uma dívida, segundo seus próprios dirigentes, difícil de ser contabilizada, mas que já teria chegado aos R$800 milhões.
Para viabilizar ações cotidianas do Cruzeiro, que teve várias receitas adiantadas pela gestão anterior, o grupo tem buscado recursos. Assim, espera fechar nos próximos dias um empréstimo de longo prazo entre R$80 milhões e R$100 milhões, que lhe daria algum respiro financeiro para o pagamento de contas mais urgentes. “Se sair, pode ser nossa redenção para sair do CTI, ir para o quarto e começar a tratar da doença”, disse Saulo Fróes, presidente do Núcleo Gestor Transitório, ao Estado.
Além disso, o clube pretende lançar em breve um reformulado programa de sócio-torcedor, com a expectativa de obter receita mensal de R$3 milhões, com a ideia de revelar publicamente como esses recursos estão sendo utilizados. A iniciativa, porém, esbarra na preocupação de que o valor arrecadado não chegue ao clube, sendo retido pela Justiça para o pagamento de dívidas, com o bloqueio das contas.
O caos administrativo e financeiro tem provocado dois cenários: a incerteza sobre qual será o elenco para o início da temporada, sendo que a estreia no Campeonato Mineiro está agendada para 22 de janeiro, e a sensação de impotência e incredulidade nos membros do Núcleo Gestor Transitório. Não à toa, Vittorio Medioli, definido como CEO do grupo, e Pedro Lourenço, inicialmente apontado para tocar o departamento de futebol, deixaram a gestão do Cruzeiro. “Hoje as contas do Cruzeiro são uma caixa d’água sem fundo”, afirmou Medioli, ao Estado.