Em nota, o BB informou que suspendeu o patrocínio e que vai retomá-lo apenas se a entidade adotar recomendações da CGU
Segundo relatório de auditoria especial da Controladoria-Geral da União (CGU), a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) usou o dinheiro do patrocínio do Banco do Brasil (BB) para fazer pagamentos a empresas pertencentes a dirigentes, ex-dirigentes e parentes. Entre eles estão os genros do ex-presidente da CBV Ary Graça. As irregularidades estão avaliadas em R$ 30 milhões em 13 contratos da CBV.
Há suspeita de que os serviços não tenham sido executados e de que parte das empresas sequer exista. Em nota, o BB informou que suspendeu o patrocínio e que vai retomá-lo apenas se a entidade adotar imediatamente todas as recomendações feitas pela controladoria, "além de outras identificadas pelo banco como necessárias".
Segundo a CGU, os auditores verificaram que parte do repasse do bônus de performance pago pelo BB não estava sendo destinada aos atletas e à comissão técnica. Enquanto isso, aumentaram bem acima da inflação os gastos com despesas administrativas e operacionais, justamente no período em que a CBV contratou empresas de dirigentes e ex-dirigentes. A CGU recomenda que a CBV adote medidas para eliminar as irregularidades e, assim, mantenha o patrocínio do BB.
De acordo com a instituição financeira, parte das medidas corretivas apontadas pela CGU foi previamente identificada pelo banco e elas constam de aditivo contratual negociado com a CBV. Não houve, porém, resposta final por parte da CBV a esse aditivo, informou o BB. "O Banco do Brasil reitera que não irá compactuar com qualquer prática ilegal, ou que seja prejudicial ao esporte e à comunidade do vôlei, e entende ser necessário que a CBV adote novas práticas de gestão que tragam mais disciplina e transparência à aplicação dos recursos", informou o banco em nota.
Entre as empresas citadas pela CGU estão a LG Vídeo Filme Produções Ltda., que recebeu R$ 1,1 milhão em 2013, e a Acquatic Confecção de Artigos do Vestuário Ltda., que levou mais de R$ 1,6 milhão. Elas pertencem a genros do ex-presidente Ary Graça. Segundo a CGU, há indícios, como a emissão de notas fiscais sequenciais, de que as duas empresas talvez nem existam. O ex-diretor da CBV Marcos Antônio Pina Barbosa é sócio de outras duas empresas - Logística & Serviços Ltda. e à SMP Sports Marketing - que não têm nem mesmo sede física, mas, mesmo assim, receberam R$ 6,6 milhões da CBV entre 2010 e 2012.