Clube utilizou valores futuros de contratos para cobrir despesas imediatas, segundo documento enviado à Justiça (Foto/IA Chat GPT)
O Corinthians antecipou cerca de R$ 76 milhões em receitas de patrocínio para manter o funcionamento financeiro. A informação consta em laudo anexado ao processo do Regime Centralizado de Execuções (RCE), no Tribunal de Justiça de São Paulo.
Do total, aproximadamente R$ 46,9 milhões estão ligados ao contrato com a patrocinadora máster, Esportes da Sorte. Outros R$ 23,7 milhões foram antecipados por meio de operação com o Banco Daycoval, com base no vínculo com a fornecedora Nike.
Além disso, cerca de R$ 6,8 milhões vieram de negociações de atletas. Parte desse valor deve ser direcionada ao pagamento de credores, conforme regras do plano financeiro.
Segundo o documento, a medida foi adotada para cobrir um desequilíbrio no fluxo de caixa. A projeção indicava falta de recursos para compromissos de curto prazo, como salários e despesas operacionais.
O laudo também aponta que o clube tem altos custos, com R$ 420 milhões destinados ao futebol profissional e R$ 220 milhões em despesas administrativas e do clube social.
A perícia ainda detalha uma diferença de cerca de R$ 150 milhões entre movimentações financeiras e receitas consideradas no processo. Parte desse valor se refere a transferências internas e operações que não são classificadas como receita recorrente.
O RCE é utilizado pelo Corinthians para organizar o pagamento de aproximadamente R$ 200 milhões em dívidas, permitindo a centralização dos processos e evitando bloqueios judiciais nas contas do clube.