Ex-presidente foi punido por uso considerado irregular do cartão corporativo do clube (Foto/Danilo Fernandes/Meu Timão)
O Corinthians decidiu expulsar o ex-presidente Andrés Sanchez do quadro de associados do clube. A decisão foi tomada nesta segunda-feira em votação realizada pelo Conselho Deliberativo no Parque São Jorge.
A punição ocorreu por causa do uso indevido do cartão corporativo do clube para despesas pessoais. Dos 167 conselheiros presentes na reunião, 112 votaram pela expulsão. Outros 49 foram contra a medida e seis se abstiveram.
O comparecimento total foi de 58,8% dos integrantes aptos a participar da votação. A maioria dos conselheiros acompanhou o parecer da Comissão de Ética, que recomendava a exclusão de Andrés Sanchez do quadro social do Corinthians.
Após a decisão, o presidente em exercício do Conselho, Leonardo Pantaleão, explicou que o ex-dirigente será comunicado oficialmente para que a medida passe a ter efeito.
Segundo ele, o procedimento interno foi encerrado no clube, mas Andrés ainda poderá recorrer à Justiça se desejar discutir o caso judicialmente. Até a última atualização da reportagem, a defesa do ex-presidente não havia se pronunciado sobre a decisão.
O dia foi marcado por intensa movimentação no Parque São Jorge. O clube reforçou a segurança com presença de integrantes da Polícia Militar, Polícia Civil e profissionais de segurança privada.
Torcedores organizados começaram a chegar durante a tarde e exibiram faixas pedindo a expulsão do ex-presidente. Entre as mensagens apresentadas estavam frases cobrando responsabilidade de dirigentes e conselheiros diante do caso.
Mais cedo, também houve faixas em defesa de Andrés Sanchez, mas elas foram retiradas por torcedores. Durante a votação, um caminhão de som foi colocado na entrada do clube e reproduziu músicas e manifestações ligadas ao protesto das torcidas.
Três advogados de Andrés chegaram ao local pouco antes do início da reunião e acompanharam a sessão no teatro do clube.
No começo da reunião, o ex-presidente Mario Gobbi pediu que a votação fosse secreta e questionou a ausência da possibilidade de suspensão como alternativa à expulsão. Mesmo assim, Leonardo Pantaleão manteve a proposta de votação aberta, com registro individual dos votos dos conselheiros.
Antes da votação, um integrante da Comissão de Ética apresentou as conclusões do relatório. Em seguida, a defesa de Andrés Sanchez teve espaço para manifestação. Após o anúncio do resultado, torcedores comemoraram do lado de fora do Parque São Jorge com fogos de artifício e outras manifestações.
Segundo a investigação interna, Andrés utilizou o cartão corporativo do Corinthians em despesas pessoais entre agosto de 2018 e fevereiro de 2021. O valor apontado pelo Ministério Público é de R$ 480.169,60, considerando atualização monetária e juros.
Entre os gastos citados aparecem compras de relógios de luxo, despesas em restaurantes, farmácias, hotéis, laboratório de exames, barbearia e passeios.
Também foram mencionados gastos em Tibau do Sul, no Rio Grande do Norte, onde Andrés costuma passar o Réveillon.
O ex-presidente admitiu o uso irregular do cartão, alegando ter confundido o cartão corporativo com o pessoal. Segundo o texto, ele ressarciu o clube em R$ 15 mil.
Na defesa apresentada ao clube, Andrés sustentou que não existia política interna clara sobre o uso do cartão corporativo e afirmou que parte das despesas era compatível com atividades institucionais.
Além do processo interno no Corinthians, Andrés Sanchez também responde a ações na Justiça relacionadas ao caso.
O Ministério Público apresentou denúncias envolvendo apropriação indébita. Parte das acusações sobre lavagem de dinheiro e crime tributário foi rejeitada inicialmente pela Justiça.
O caso também envolve investigação sobre o uso do cartão corporativo em outras gestões do Corinthians.