O Corinthians começará a próxima temporada dependente de dois bancos. Para reforçar o elenco e ter um time competitivo conta com empréstimos do BMG. E para pagar a arena espera que a Caixa Econômica Federal aceite a proposta de redução do valor das parcelas do financiamento. O diretor financeiro do clube, Matias Romano Ávila, se mostrou otimista com o cenário atual, mas especialistas ouvidos pelo Estado dizem que as saídas encontradas são preocupantes.
Uma nova parceria entre Corinthians e BMG deve ser anunciada formalmente no início do ano, ampliando o acordo de janeiro. Com a Caixa, o clube enviou o pedido de refinanciamento em dezembro e o banco pediu 60 dias para analisar. A resposta deve ser dada no fim de janeiro, início de fevereiro. O Corinthians tenta reduzir os valores e ampliar o prazo final, que terminaria em 2028.
Nem os bancos e nem o Corinthians dão detalhes das negociações. O Estado apurou que o patrocinador máster, basicamente, passará a emprestar dinheiro ao clube para fazer contratações. Os R$20 milhões à vista pagos pelo atacante Luan, do Grêmio, vieram do BMG, por exemplo.
O BMG, no entanto, não tem relação nem influência nas contratações. Ou seja, não receberá porcentagem de lucro em uma eventual venda. O Corinthians solicita o valor e o banco faz o empréstimo, com juros mensais de cerca de 3,5% ao mês.
No ato do primeiro contrato com o BMG, o clube recebeu R$30 milhões, correspondente a duas temporadas de patrocínio e outros R$6 milhões em adiantamento referentes a eventuais lucros com a criação do banco digital Meu Corinthians BMG. O acordo tem duração de cinco temporadas, com possibilidade de renovação por mais cinco.
O Corinthians teve um ano ruim financeiramente. A previsão é de fechar com déficit de R$144 milhões. A dívida líquida total do clube passa dos R$600 milhões. Esse valor é o total do passivo do clube, menos seu ativo e não inclui a dívida do estádio com a Caixa.