Zagueiro Dedé se emociona ao falar de sua relação com o Vasco e a torcida cruzmaltina
Sofrido para os torcedores, o adeus ao Vasco mexeu também com Dedé. O zagueiro, que defenderá o Cruzeiro, concedeu durante quase uma hora entrevista coletiva que marcou sua despedida, na manhã de ontem, e disse que se sentiu pressionado a tomar a decisão em função da difícil situação financeira em São Januário. De camisa azul, cor do novo clube, fala muito pausada e olhar perdido em alguns momentos, Dedé afirmou que o Vasco precisava negociar algum jogador, para aliviar sua crise, e sabia que ele era o escolhido. E disse ser difícil ver os salários atrasando para os funcionários, “que precisavam que mudasse alguma coisa”. Com esse cenário, o zagueiro se definiu como uma válvula de escape e sem muita escolha. “Senti a pressão, sim. Sem querer atingir ninguém do Vasco, mas me senti uma mina de ouro que poderia clarear a escuridão que estava ali. Não tive a escolha de pensar. Achei que conseguiria pensar, mas não tive chance. Vi que tinha uma decisão concretizada”, afirmou Dedé, pouco depois de chorar, logo no começo da entrevista. O zagueiro de 24 anos garantiu não se arrepender de ter recusado as propostas que chegaram antes da do Cruzeiro e avaliou que ainda não é o momento de se transferir para a Europa. Agradeceu mais de uma vez o carinho da torcida, disse que vai guardar com carinho todos os momentos vividos em São Januário e afirmou: “Nunca pensei em sair do Vasco”.
A diretoria do Vasco, que ainda vai se pronunciar sobre a venda do zagueiro, considerou o negócio como praticamente irrecusável - R$ 14 milhões pelos 45% de direitos econômicos que o clube ainda tinha. O Vasco deve dois meses de salários, entre outras dívidas com o atual quadro de funcionários e o elenco de jogadores.