Na ocasião do GP da Malásia, escrevi uma coluna longa. Erro que cometia nas minhas publicações iniciais. O problema é que ao escrever demais, a turma que faz a diagramação (penso ser este o nome), a turma que tem de arranjar o espaço do que foi escrito para caber no jornal, é obrigada a usar letras menores, aí chovem e-mails reclamando. Por isso, no GP da China deixei de comentar alguns detalhes importantes.
Número um. O detalhe que mais me chamou a atenção na etapa chinesa e que quase ninguém da mídia nacional comentou, foi Alonso ter testado algumas novidades aerodinâmicas, que o nosso Massa não teve acesso. Depois que a corrida acabou ninguém da mídia brasileira chiou. Pois nosso piloto, apesar dos pesares, acabou na frente do arrogante Alonso.
Anormal. Para uma equipe que, na prática, prega que os dois pilotos correm em condições iguais de equipamento, isto, no mínimo, é anormal. Como um piloto tem o direito de testar novidades que na teoria seriam o melhor e o outro não? Esta prática sempre aconteceu na F1. A era do alemão na Ferrari foi a mais marcante nos últimos tempos. Porém, na era Fangio, já existia. Essa é uma vergonha que os dirigentes nunca conseguiram esconder.
Superação. Piquet passou por isso. Senna também. Rubinho, então, nem se fala. Só que os dois primeiros, por motivos diversos, souberam superar essa adversidade. Mas de uns tempos para cá, o marketing fala mais alto e também falta um pouco de braço aos nossos representantes atuais.
Companheiro. Depois desse fato que Massa vivenciou na China, pode-se concluir que nosso piloto já é carta fora do baralho na equipe vermelha. Essa é a lógica, e sem patriotismo. Entretanto, na segunda-feira, 25, foi aniversário de Felipe Massa e, se observarmos as declarações dos dirigentes da equipe sobre o nosso piloto, pensaríamos que ele vai ficar sua carreira inteira de F1 na equipe Ferrari. A declaração de Dominicalle foi a mais emotiva e, se dependesse somente dele, o destino do brasileiro seria bom. Alonso foi direto e Montezemolo político.
Carta na manga. A F1 é mundo de falsos. E acho que Massa estará fora da equipe vermelha antes do término de seu contrato. O desportista brasileiro que mais faturou em 2010 foi o piloto da Ferrari que, no entanto, vive um momento delicado. Por sorte, seu grande defensor na categoria, Jean Told, é nada mais nada menos que o presidente da FIA, e seu empresário oficialmente é o filho de Jean, Nicolas. Por isso, Massa ainda deve ter uma chance em equipes boas.
Ilusão. Os mais entusiasmados devem estar pensando que Felipe vive um momento bom na F1, pois chegou à frente do hispânico por duas vezes, em três possíveis. Ano passado, Massa era líder do campeonato após as primeiras etapas. Mas logo depois disso, nunca mais esteve perto da liderança do campeonato. E a equipe sempre esteve do lado do espanhol.
Realidade. Verdade seja dita, mesmo antes da canalhice do GP da Alemanha, Alonso sempre esteve alguns décimos de segundo na frente de Massa. E continua estando, pelo menos nas classificações. Mas naquele GP, se a equipe não interferisse, Massa logicamente seria o vencedor. O mais chato de tudo é que depois daquela ordem de deixar Alonso passar, o brasileiro nunca mais foi competitivo em 2010.
Dureza. É a parte psicológica. Aí pensamos que ele superou isso. Mas a lógica diz que a equipe mesmo vai atrapalhar a trajetória do piloto paulista. Esta é a maneira de agir dessa equipe que é a mais tradicional do circo.
Reflexão. Depois da morte de Gustavo Sodermann na Curva do Café e, mais recentemente, a de Paulo Kunze, virou moda falar mal de Interlagos. Uma pista que foi homologada pela FIA para receber a F1. Penso que não é a pista o problema, a verdade é que o automobilismo e motociclismo é um esporte para quem sabe e pode ($$$) e envolve riscos. E todos que estão numa competição sabem disso. Seria melhor pensar direito antes de ficar malhando nosso melhor autódromo, ainda de pé. Felicidades a todos!