Toninho afirma ver com certa tristeza o fato de o USC abrir mão de um trabalho que começou tão bem na Taça Minas Gerais, quando apostou nos garotos da base...
Se o presidente do Fabrício, Marco Aurélio Bellocchio, mostra otimismo e esperança na nova parceria do Uberaba Sport com uma empresa de fora, Toninho, dirigente do Bonsucesso e ex-diretor do USC, não tem a mesma opinião. Toninho afirma ver com certa tristeza o fato de o USC abrir mão de um trabalho que começou tão bem na Taça Minas Gerais, quando apostou nos garotos oriundos das categorias de base. “Encheram a molecada de esperanças, dizendo que a TM seria um laboratório, e agora já querem trazer um time completo para disputar o Mineiro. Não concordo”, declara. Para o dirigente, o Uberaba Sport não deu suporte para os jogadores e comissão técnica trabalharem com o mínimo de tranquilidade. Além disso, ele entende que o afastamento de Érick Moura do cargo de treinador acontece em uma hora errada. “Penso que deveriam ter dado mais apoio ao Érick, pois ele mostrou evolução e que poderia evoluir ainda mais no Campeonato Mineiro, assim como acontece com alguns jogadores do elenco, que, na minha opinião, poderiam gerar muitos bons frutos para o USC”, completa, dizendo que um clube que não consegue pagar o salário mínimo para seus atletas deve repensar sua forma de administrar. Segundo Toninho, as pessoas que trabalham com futebol devem escutar a todos, inclusive torcedores. Porém, de acordo com ele, a opinião da diretoria deve prevalecer, acima de tudo, mesmo que pressões externas aconteçam. “O torcedor sempre vai cobrar uma equipe forte e com atletas renomados. Porém, só quem está lá dentro sabe a realidade do clube e por isso nem sempre pode dar ouvidos a todos os apelos da torcida. Se for na onda do torcedor, vira bagunça”, dispara. Questionado se aceitaria um convite para trabalhar na diretoria do USC, Toninho é enfático. “Da forma como está hoje, não toparia de jeito nenhum. A casa precisa estar arrumada antes de se querer montar uma equipe. Além disso, não gosto de prometer uma coisa que não darei conta de cumprir, como acontece no USC”, afirma, em alusão aos constantes atrasos de salários no decorrer da temporada. Para Toninho, o dirigente que não paga os salários em dia não tem direito de cobrar nada do atleta. “Eu trabalho com planejamento. Se o dinheiro já estiver em mãos, pago adiantado, porque aí eu tenho moral para falar na orelha do jogador se ele estiver indo mal. Acredito que é por essa falta de compromisso que muitos atletas profissionais migram para o amador, pois lá os clubes prometem e cumprem”, aponta. Solução. Sempre polêmico, Toninho afirma que, se assumisse a presidência do Colorado, paralisaria todas as atividades durante dois anos para, após esse período, voltar com força total. “Não acho que seja um exagero. Aí daria tempo de colocar tudo em ordem. Um clube profissional tem o dever de oferecer uma boa alimentação, bom ambiente de trabalho, uniformes e chuteiras para seus atletas. São coisas simples, mas que muitas vezes o USC não consegue oferecer”, opina, dizendo que admira a coragem do atual presidente do USC, Luiz Humberto Borges, porém reconhece que às vezes Borges dispara respostas atravessadas aos torcedores, o que não é bom para o clube. “O presidente precisa ter o torcedor do seu lado. E se não tiver estrutura o cara não aguenta, pois é um fardo muito pesado”, frisa.