Um artilheiro que não sentia o gostinho das peladas quando criança porque se preparava para ser profissional. Um goleador que enfrentou tantas reviravoltas em sua carreira, que já se vê como tema de livro. São esses os perfis dos dois homens que comandam os ataques de Palmeiras e São Paulo, no clássico no Morumbi. De um lado, o palmeirense Keirrison, 12 gols no Paulista, foi preparado para ser artilheiro desde cedo. De outro, o são-paulino Washington, 10 gols, traçou caminhos difíceis antes de chegar ao centro do futebol brasileiro. “Eu penso que nunca é tarde. Ainda não penso no dia em que vou parar, não tenho um prazo para isso”, contou Washington. “Mas sei que poderia ter jogado em grandes centros do Brasil antes, porque tive convites antes de ir para o exterior. Foi uma escolha minha sair do país, foi bom para a família.” Aos 33 anos, ele já pensa em escrever um livro sobre a sua vida. Disse sentir orgulho de sua larga experiência profissional, iniciada em 1991, no Caxias, do Rio Grande do Sul. A vida de Keirrison, 20, não daria nem uma cartilha no momento. Mas daria para se escrever um manual sobre como virar jogador, com a determinação e a disciplina do atleta. “Treinava fundamento, com meu pai e na escolinha, desde os cinco anos. Não jogava pelada. Só jogo em escolinha. Para mim, o futebol sempre foi sério. Só vim a jogar pelada mais velho”, contou o jogador. Saído do Cene (MS), Keirrison já valia R$ 500 mil aos 16 anos, quando se transferiu para o Coritiba, pelas mãos dos empresários Marcos e Naor Malaquias. Na sua carreira planejada, o Palmeiras foi o passo seguinte à projeção nacional. Os próximos degraus são um grande clube europeu e a seleção.