Treinador precisa recuperar confiança do elenco e criar esquema de jogo eficiente
Gerson, do Cruzeiro, no jogo com o Santos, pelo Brasileiro 2026 (Foto/Gustavo Martins/Cruzeiro)
A pressão só aumenta na Toca da Raposa II. Novamente, o Cruzeiro falhou na busca por sua primeira vitória no Campeonato Brasileiro 2026, ficando em um amargo empate com o Santos, no Mineirão. O resultado, fruto de mais uma atuação ruim da equipe, é mais uma mostra de que o técnico Artur Jorge, recém-anunciado pelo clube celeste, tem muito trabalho pela frente.
Empolgada pela troca de treinador, a torcida cruzeirense compareceu em maior número ao Mineirão do que em outros jogos. Estiveram no estádio 43.252 pessoas no total, maior público da Raposa na temporada até aqui. O clima era todo propício para uma virada de chave.
Mas o que se viu em campo foi um Cruzeiro com dificuldades de se impor. Também em situação complicada no Campeonato Brasileiro, o Santos, que tinha a estreia do técnico Cuca, adotou uma postura mais reativa no Mineirão, e deu certo. A linha de cinco jogadores que protegia a grande área santista, somada à falta de inspiração no lado cruzeirense, deixou o jogo sem emoção em termos de chances criadas.
Erros de passe, decisões erradas e falta de capricho no acabamento da jogada impediam a equipe celeste de machucar mais os visitantes. O Peixe, embora não tenha oferecido perigo, também não levou praticamente nenhum susto, a não ser uma finalização de Gerson, que teve grande defesa de Gabriel Brazão.
Veio o segundo tempo, e o Cruzeiro passou a ser mais ameaçado em sua defesa. O Santos, vendo que a partida estava sob controle, se arriscou um pouco mais no ataque, finalizando mais, porém sem pontaria, para a sorte do Cruzeiro.
A equipe azul, aos poucos, conseguiu chegar mais à área santista, mas ainda esbarrando na falta de criatividade e de coletividade. Muitos cruzamentos para a grande área, que praticamente nunca geravam perigo real à defesa do Peixe. Na única chance mais clara que a Raposa conseguiu construir, Neyser Villarreal chutou em cima de Gabriel Brazão, na pequena área.
Não fosse um impedimento por centímetros de Barreal, ex-Cruzeiro, o domingo dos cruzeirenses teriar terminado de forma ainda mais trágica, com o Santos conseguindo o gol da vitória na última bola do jogo. Nem mesmo este 'alívio' serviu para evitar que a torcida celeste protestasse ao fim do jogo, com gritos de 'Time pipoqueiro'.
A campanha do Cruzeiro no Brasileirão 2026 fica cada vez mais preocupante - são apenas quatro pontos em 24 disputados. A equipe está na lanterna do torneio, sem nenhuma vitória. Embora o volante Lucas Silva não acredite que a equipe vá brigar contra o rebaixamento, este é o cenário que a realidade aponta no momento.
Recém-contratado, o técnico Artur Jorge terá trabalho em diversos aspectos. O primeiro deles é recuperar o psicológico do elenco, que, como já admitiram alguns jogadores, está afetando o desempenho da equipe. Após recuperar a confiança do plantel, será o momento de criar um esquema de jogo que dê à Raposa tanto segurança defensiva (o Cruzeiro tem a pior defesa do Brasileirão, com 16 gols), quanto repertório ofensivo, para agredir mais, e melhor, os adversários.
E o treinador chega em um cenário nada favorável. Pressão da torcida, time em má fase, na lanterna do Campeonato Brasileiro e com uma sequência pesada de jogos a caminho. Artur Jorge tem pela frente o desafio de, em pouco tempo, 'consertar o carro andando', afinal a reação do Cruzeiro no Brasileirão 2026 não pode mais esperar.
Fonte: O Tempo