Falando com exclusividade ao Jornal da Manhã, o agora ex-diretor de futebol do USC Ernani Nogueira explicou alguns dos motivos que o levaram a abandonar o cargo. Mostrando-se bastante chateado, chegando a esboçar certa agonia no tom de sua voz, o diretor afirmou que já vinha preocupado há muito tempo com a parceria entre o clube e a empresa WMS Sports, ligada ao treinador da equipe, Michael Robin. “Não tenho nada contra ele. Porém, nossas idéias não batem. Para mim, não está havendo profissionalismo na maneira como ele vem agindo”, disse Nogueira, revelando que a liberação dos atletas após o jogo de hoje contra o Araxá foi a gota d’água para que ele tomasse a decisão de deixar o clube. “Tínhamos programado de trabalhar até o dia 23 de dezembro e eu vinha dizendo isso todos os dias. Porém, quando cheguei ao clube, hoje [ontem], eu fiquei sabendo que o Robin havia liberado os atletas trazidos por ele, sem me avisar. Ele forma um time de amigos e fica querendo agradá-los, por isso a liberação. Não concordei e decidi abrir mão do cargo”, explicou. Para Nogueira, o empresário Michael Robin não é treinador de futebol, por não entender nada do assunto, e ele, Nogueira, não está disposto a se indispor por conta disso. “Minha torcida é para que o Régis Gonçalves, uma ótima pessoa, por sinal, e que entende de futebol, permaneça ao lado do Robin para tocar as coisas. Pois, se for da maneira como quer o Robin, eu temo muito pelo USC”, declarou. De acordo com o ex-diretor, dentre os muitos pontos negativos está a questão dos preparadores físicos, para ele, incapazes. Caso continuasse no clube, exigiria a saída de Fabio Polim e Alexandre Porto. “O trabalho deles não é para time profissional e de primeira divisão. Mas, se o Robin acredita, o problema é dele”, disparou, relembrando o fim da parceria com o técnico Pedrinho Rocha, desmanchada para dar lugar a Michael Robin. “O time estava montado e a chegada do Robin atrapalhou tudo. Mas as coisas ainda podem ser consertadas”, completou. Dizendo-se parceiro do clube e dos diretores que lá permaneceram, Nogueira ressaltou que sua volta depende exclusivamente da saída de Michael Robin. “Sou torcedor apaixonado do USC e tenho planos para o clube. Mas com o Robin não dá. Não se forma time de futebol dessa maneira. Parcerias sérias são como a da Traffic, onde o investidor indica treinadores e comissões técnicas. Aqui, o cara queria ser tudo. E como ele é o dono do dinheiro muitos aceitaram, principalmente pela situação por que passava o clube. O próprio Régis aceita, pois precisa do dinheiro dele. Mas eu, como não preciso, não vou aceitar esse tipo de coisa e por isso acho melhor sair. E, por mais que ele tenha dinheiro, não será treinador nunca”, revelou, ressaltando a urgência de um diretor da cidade assumir seu cargo e não deixar o clube à mercê de Régis e Robin. “Não pode ficar somente os dois, principalmente porque não sabemos o tipo de trabalho que eles pretendem exercer. Quem entrar e entender um pouco de futebol, verá que está tudo errado.” Ernani, contudo, fez questão de ressaltar as boas intenções de Michael Robin.