Exatamente um ano e seis dias após ver o Uberaba Sport Club ser despejado do estádio Boulanger Pucci, o torcedor do Colorado sofreu mais um duro golpe
Exatamente um ano e seis dias após ver o Uberaba Sport Club ser despejado do estádio Boulanger Pucci, o torcedor do Colorado sofreu mais um duro golpe, ontem. Ainda sem explicação clara, máquinas demoliram parte das salas onde antes funcionavam as instalações da administração, salas do departamento médico, cozinha e refeitório, localizados na parte detrás da arquibancada.
Depois de um ano repleto de notícias tristes, o dia 10 de dezembro de 2010 ainda reservava mais uma decepção para a torcida e pessoas ligadas ao USC. O grande detalhe é que até o fechamento desta edição ninguém havia assumido a autoria da ação.
A reportagem da Rádio JM e do Jornal da Manhã esteve no local tão logo tomou conhecimento do fato. Questionados, os operários não quiseram revelar de onde partiram as ordens para a execução da demolição. Ainda de acordo com o que foi apurado, o próximo passo seria a demolição da parte referente à academia, onde vários equipamentos de ginástica permanecem à mercê das intempéries climáticas.
Outro fato importante foi que se registrou no antigo estacionamento de BP o tráfego de caminhões de cargas sendo descarregados. Para que os veículos transitem por ali, foi construído um portão na divisa do estádio com o supermercado, que é um dos arrematantes do imóvel.
Luiz Fernando de Freitas, advogado do USC, lamentou o ocorrido e já afirmou que o departamento jurídico do clube deve entrar com alguma ação na Justiça. “Isso é sinal da arrogância de alguns. Estão apagando mais um pouco da história do USC. A bem da verdade, trata-se de um crime não só em desfavor do clube, mas de todo o povo de Uberaba. Vale lembrar que ainda se trata de uma posse provisória por parte dos arrematantes, ou seja, o assunto ainda está sendo analisado e discutido pela 5ª Vara Cível, que cuida do caso”, declarou, revelando que muitos móveis que estavam no local simplesmente sumiram.
Conforme apurado pela reportagem do Jornal da Manhã (veja matéria abaixo) não há nenhuma autorização judicial para a demolição de qualquer área construída dentro do imóvel. Por isso, Márcio Gennari, diretor do Departamento de Comunicação da Prefeitura, disse, com exclusividade à Rádio JM, acreditar que a intervenção de ontem tenha alguma segurança jurídica, o que ainda não foi revelado por parte dos dois juízes que cuidam do caso da desapropriação de Boulanger Pucci. Gennari ainda lembrou que o leilão está sub-judice, o que não permitiria qualquer tipo de ação que interferisse no conjunto de obras dentro do antigo estádio do USC.
Por outro lado, o diretor da PMU, lembrou que a intenção do órgão é devolver a área à comunidade, provavelmente com a instalação de um “pulmão verde” e a efetivação daquele espaço como área de preservação. “Nosso posicionamento é de acreditar que quem está promovendo as ações tenha a segurança jurídica para tal. A prefeitura não tem acordo com ninguém e nenhum tipo de gerência sobre o imóvel. Apenas depositamos o valor apontado pela Justiça – pouco mais de R$ 2 milhões – e estamos aguardando a emissão de posse”, afirmou.
Presidente reeleito do clube, Luiz Humberto Alves Borges, foi enfático ao afirmar que, em princípio, o USC não pode fazer nada, mas que o departamento jurídico já está cuidando do caso. “Caso o pedido de nulidade do leilão seja aceito e o clube ganhe a ação, a pessoa que fez isso deverá pagar pela descaracterização do patrimônio do Uberaba Sport”, lembrou.
Entretanto, Borges fez questão de salientar que o torcedor precisa ter consciência de que BP não pertence mais ao clube, que busca outra casa, outro local para construir seu Centro de Treinamentos.
Procurado pela reportagem, o proprietário do supermercado não foi localizado e não contatou o Jornal da Manhã para tratar do assunto.
Cleiton, torcedor do USC, resumiu o sentimento da torcida colorada após mais esse triste episódio, que mancha ainda mais a história do Uberaba Sport Club. “É a história do USC que está sendo destruída. Vimos grandes jogadores atuando aqui e agora estamos acompanhando tudo ser jogado ao chão. É uma vergonha”, disse.